As duas filhas faziam uma vida normal

Jaycee Lee Dugard, a jovem sequestrada em 1991 e que foi localizada a semana passada, tinha uma vida normal com as duas filhas que teve com o seu sequestrador, com as quais partilhava um sujo barracão.<br /><br /><br />
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As filhas, de 11 e 16 anos iam a festas de aniversários e mostravam grande apreço pela série infantil "Hannah Montana", disse ao canal de notícias CNN Cheyvonne Molino, amigo dos suspeitos do caso.

"Os meios de comunicação falaram de tal maneira que parecia que estas meninas viviam como lobos ou crianças da selva numa espécie de masmorra. Pode ser que assim acontecesse mas eu não tinha essa impressão", salientou Molino, dizendo que Phillip Garrido, um dos dos alegados sequestradores, se referia às meninas pelos nomes de Starlet e Angel.

"Eram educadas", disse Molino. "Com bons modos", acrescentou.

Jaycee Dugard, sequestrada há 18 anos na localidade de South Lake Tahoe (Califórnia), ajudava Garrido a administrar uma pequena gráfica a partir da sua casa em Antioch, a Leste de São Francisco, onde os clientes a conheciam pelo nome de Allissa.

"Tinha sempre um sorriso simpático na cara", disse Deepal Karunaratne, um dos clientes. "Era uma rapariga muito bonita", acrescentou.

Karunaratne, não obstante, comentou que às vezes era "chocante" o vestuário das duas meninas.

"Não andavam como crianças adolescentes", disse. Vestiam de forma muito conservadora", acrescentou.

Ben Daughdrill, outro cliente assíduo, referiu que nada no negócio chamava a atenção e que Jaycee Dugard sempre teve acesso a um telefone e a um computador na loja.

Segundo ele, nada em Jaycee Dugard atraíra a sua atenção.

"Ela era muito profissional, muito educada, como qualquer outra secretária", declarou Daughdrill.

"Obviamente algo se devia passar que ainda não sabemos", disse aludindo às razões que levaram Jaycee, hoje com 29 anos, a nunca denunciar os factos.

Jaycee Dugard é descrita como uma jovem profissional e cortês, que comunicava com os clientes ao telefone e por correio electrónico e recebia as encomendas de cartões de visitas, prospectos e outros anúncios", segundo o diário San Francisco Chronicle que cita alguns clientes.

"Garrido disse-nos abertamente que trabalhava com a filha. Ele dizia que ela geria o aspecto gráfico e que ele se ocupava da impressão", declarou JP Miller, que contratou Garrido em Agosto para o ajudar a fazer a promoção da sua sociedade de transporte rodoviário.

Miller ssegurou ao San Francisco Chronicle que nada fazia pensar que "Allissa" fosse na realidade Jaycee, a menina de 11 anos raptada em 1991 quando ia para a escola.

Vários peritos afirmam que Jaycee desenvolveu provavelmente um "síndroma de Estocolmo", sentimento de simpatia ou de afeição que algumas pessoas acabam por experimentar pelo seus sequestradores.

O padrasto de Jaycee declarou hoje à cadeia de televisão norte-americana ABC que aos poucos ela voltava à realidade, depois de se ter encontrado com a mãe e a meia irmã. "Isso vai levar anos" advertiu.

O agente especial do FBI que conduz o inquérito, Chris Campion, descreveu o reencontro de Jaycee com a mãe como "um momento comovente".

"Elas estavam encantadas de estarem de novo juntas. Claro que vai haver um período de adaptação mas, até aqui, tem corrido bem. E as duas meninas (de Jayce, concebidas com Garrido) estão provavelmente tão felizes como Jaycee de fazer parte desta família", acrescentou.

Garrido, de 58 anos, e a sua mulher, Nancy, de 54, que se declararam não culpados, foram acusados na semana passada de múltiplos crimes por violação, actos lascivos e sequestro com objectivos sexuais contra Jaycee Dugard, que tinha apenas 11 anos quando foi raptada na rua, numa paragem de autocarro, no Sul de South Lake Tahoe e à vista do padrasto.

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