As dez maiores goleadas e alguns choques para recordar

Portugal enfrenta hoje o primeiro de dois "brindes". Andorra foi umas das maiores vítimas da equipa lusa, mas há surpresas recentes
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O favoritismo prova-se sempre dentro de campo, mas Portugal tem em Andorra (hoje, 19.45, RTP1) e ilhas Faroé (2.ª-feira) adversários que convidam a goleadas. O histórico sugere isso mesmo: em três jogos, Andorra sofreu 14 golos de Portugal e está entre as vítimas das maiores goleadas lusas em fases de qualificação, enquanto as ilhas Faroé nunca defrontaram Portugal num jogo oficial - perderam por 5-0 em 2008, num jogo de preparação.

Em jogos oficiais com Fernando Santos em fases de qualificação, Portugal nunca venceu por mais de um golo e o máximo que marcou foram três, à Arménia, em 2015 (3-2). Hoje, diante de Andorra, os portugueses esperam testemunhar o maior triunfo da era Santos e quiçá aproximar-se do top 10 de maiores goleadas em fases de qualificação.

Três vezes Iaúca

A primeira grande goleada de Portugal aconteceu em 1961, no Jamor, na qualificação para o Mundial. Diante do frágil Luxemburgo, adversário tradicionalmente acessível para a seleção lusa, Portugal venceu por 6-0, com destaque para um hat trick de Iaúca, que após brilhar no Belenenses levou o Benfica a pagar 2500 contos por ele, um valor impensável para a época.

A estreia do menino Futre

Após ter sido goleado por 5-0 pela União Soviética, Portugal estava sob pressão na luta por um lugar no Euro 84. Diante da Finlândia, a seleção lusa venceu por 5-0 e conseguiu a primeira de três vitórias que permitiram chegar ao Europeu, com mais um ponto do que a URSS. O jogo ficou marcado pela estreia de Futre, 17 anos, o terceiro mais novo a representar Portugal.

A maior goleada

O triunfo mais dilatado da história da seleção nacional está fixado nos 8-0. E o resultado foi repetido mais do que uma vez, com o Liechtenstein como "vítima" favorita. Na qualificação para o Europeu de 1996, a seleção lusa venceu por 8-0. Domingos Paciência e Paulo Alves fizeram metade dos golos.

O especialista Paulo Alves

Nenhum outro país oferece tão boas recordações a Paulo Alves como o Liechtenstein. No primeiro jogo, saiu do banco para bisar e fazer os seus primeiros golos por Portugal. No segundo, também em 96, voltou a sair do banco para faturar, mas desta vez em dose tripla, numa vitória por 7-0. Dois jogos como suplente utilizado, cinco golos de Paulo Alves ao Liechtenstein.

Pauleta apresenta-se

Na caminhada para o Euro 2000, Portugal "atropelou" o Azerbaijão, por 7-0, numa noite inspirada de Sérgio Conceição, que fez um golo e três assistências em Guimarães. João Vieira Pinto bisou, mas a noite ficaria marcada por outro motivo: Pedro Pauleta fez os dois primeiros golos por Portugal, ele que viria a tornar-se o maior goleador da história da seleção.

O velho "saco de pancada"

Quem se sentou no Estádio Municipal de Coimbra só esperava uma coisa: outra goleada diante do Liechtenstein, na qualificação para o Euro 2000. E as expectativas não foram defraudadas: Portugal voltou a vencer por 8-0, com hat tricks de Sá Pinto e João Vieira Pinto e um bis de Rui Costa. JVP celebrou a 50.ª internacionalização com um golaço, num remate a 30 metros do alvo, mas Sá Pinto também brilhou com um golo apontado num pontapé de bicicleta.

Nuno Gomes endiabrado

Já estavam jogados 30 minutos e Portugal ainda não tinha conseguido marcar a Andorra, na qualificação para o Mundial 2002. Impaciente, o então selecionador António Oliveira lançou Nuno Gomes para o lugar de Jorge Costa, aos 33 minutos, e o avançado respondeu com quatro golos, numa goleada por 7-1, com destaque para o facto de ainda ter conseguido fazer o hat trick antes do intervalo, sempre a passe de Nuno Capucho.

Goleada aos pares

Na campanha rumo ao Mundial 2002, Portugal goleou com naturalidade Chipre, por 6-0, em Alvalade, em noite inspirada para João Vieira Pinto, Pedro Barbosa e Pauleta. Cada um contribuiu com dois golos, mas foi o ponta-de-lança quem mais brilhou, ao estar diretamente ligado a quatro golos. O guarda-redes Ricardo fazia o seu primeiro jogo como titular em Portugal.

O maior recital

Não é a maior goleada da história de seleção, mas foi obtida contra a seleção mais forte deste top 10. Portugal recebeu a Rússia, no arranque da qualificação para o Mundial 2006, e goleou por 7-1 em Alvalade, numa noite em que houve golaços para todos os gostos. Cristiano Ronaldo fez o primeiro bis por Portugal, mas Petit roubou o protagonismo, com dois golões em cima do minuto 90.

Centrais mostraram o caminho

A última goleada a entrar no top 10 de triunfos em fases de qualificação data de 2005. No Algarve, diante do Luxemburgo, foram os centrais a ir à área adversária mostrar como se fazia. Jorge Andrade e Ricardo Carvalho abriram o marcador, antes de Pauleta e Simão Sabrosa, saído do banco, bisarem (6-0). João Moutinho fez o primeiro jogo oficial pela seleção.

Traumas do passado recente

O futebol por vezes está recheado de surpresas. Por isso, todo o cuidado será pouco para Portugal, que tem exemplos recentes de adversários que à partida eram acessíveis, mas que acabaram por surpreender. A derrota mais marcante ocorreu em 2014, por 1-0, diante da Albânia, e provocou a saída de Paulo Bento, pois Portugal nunca tinha perdido com uma seleção tão mal posicionada na hierarquia mundial.

No apuramento para o Mundial 2014, Portugal cedeu empates contra Israel (1-1) e Irlanda do Norte (1-1), e em 2008 foi incapaz de marcar à Albânia (0-0). Já em 2010, no pós-Mundial, quatro golos não chegaram para vencer Chipre, que empatou 4-4 em Guimarães.

Ficam os avisos, mas Andorra leva 23 derrotas consecutivas em fases de qualificação para Mundiais e só venceu um jogo, contra a Macedónia, em 2004. Pode haver cautelas, mas dificilmente haverá desculpas para não vencer confortavelmente.

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