As detox estão na moda

As dietas detox (de «desintoxicação») estão na moda. O objectivo destes planos alimentares é limpar o organismo das toxinas e substâncias nocivas que se acumulam. Como todas as modas, há quem as defenda e quem as critique.
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As detox são muito populares entre as celebridades, especialmente modelos e actrizes. Aparecem como formas rápidas de perder peso indesejado e de limpar o organismo de substâncias nocivas, o que, em consequência, pode aumentar os níveis de bem-estar físico e mental.

«Somos o que comemos». Os defensores dos planos detox garantem que todos os alimentos que ingerimos estão contaminados: fertilizantes, insecticidas, fungicidas, mercúrio, arsénico, corantes e conservantes estão presentes em quase tudo o que comemos e podem causar problemas de saúde - fadiga, stress e dores várias são alguns dos sintomas de «intoxicação». As detox são regimes alimentares muito estritos, que podem durar entre cinco dias e três semanas, e que se baseiam numa dieta à base de fruta e legumes, sem sal ou conservantes e em que se exclui tudo o que é pré-cozinhado. Tabaco e álcool estão, como é evidente, totalmente interditos. Os adeptos das detox garantem que uma dieta destas ajuda a clarificar a mente, a purificar a pele, a fortalecer a memória, a melhorar a circulação e ao bom funcionamento dos órgãos vitais. E aconselham-nas vivamente a quem viveu um período de excessos.

Quem vive da imagem abraça estas dietas como se fossem a sua salvação. Uma das detox que têm feito mais furor é a que é seguida pela actriz Gwyneth Paltrow, baseada no plano alimentar do médico Alexander Junger (My Clean Program). No seu blogue (http://goop.com), a actriz conta todos os pormenores da sua detox. My Clean Program proíbe frutos como laranjas, morangos ou bananas e vegetais como tomates ou batatas. Substitui os lacticínios por leite de amêndoa ou de arroz, interdita o trigo, as proteínas animais e vegetais e qualquer tipo de molhos. Recomenda a ingestão de vegetais frescos e crus, óleo de amêndoa ou de sésamo, água filtrada, fervida ou mineral, e açúcar de coco. Um plano alimentar combinado com suplementos vitamínicos, desporto e 15 minutos de meditação por dia.

Muitos nutricionistas acham estas dietas perigosas. Criticam-nas porque fazem perder muito peso em pouco tempo, assim como líquidos e massa muscular. E garantem que quando se voltar a ganhar peso, este volta sob a forma de gordura.

Tradição bíblica

Manuel Fonseca, nutricionista e naturopata (www.BeHealthy.pt), avisa que as detox devem ser feitas com muito cuidado: «É preciso conhecer primeiro o todo da pessoa, é preciso ter a certeza de que uma restrição alimentar deste tipo não vai pôr o organismo em falência.» Mas aconselha-as a quem procura novas rotinas, novos hábitos de vida: «A desintoxicação provoca um estímulo no organismo, promove a "purificação" de órgãos fundamentais como os intestinos, os rins e o fígado.» E recorda que aquilo a que agora chamamos detox é uma tradição milenar - «já o Corão e a Bíblia as referem sob a forma de jejuns, que mais não eram do que rituais de purificação».

O nutricionista sublinha que para os tratamentos funcionarem a base é a alimentação. Defende que a dieta seja adequada ao grupo sanguíneo («por exemplo, as pessoas do grupo O têm mais tendência para comer carne»), que se eliminem as substâncias que acidificam o organismo (a laranja é uma delas). Para Manuel Fonseca, uma detox não deve ultrapassar os 15 dias e quem a faz deve respeitar o seu biorritmo (fazer um bom pequeno-almoço e diminuir a ingestão de alimentos durante o resto do dia) para não sobrecarregar o organismo. Para uma desintoxicação aconselha eliminar da alimentação o leite e os seus derivados (com excepção dos iogurtes), a carne (sobretudo carnes vermelha), tomate, batatas e massas. Arroz em pouca quantidade e só integral e alguns cereais como a espelta, o trigo e a aveia - mas sem os misturar. Deve optar-se por fruta «digestiva» como papaia, maçã e cerejas e por legumes como alcachofra, espargos e brócolos. Recomenda a ingestão de chás diuréticos como os de cavalinha, boldo e alcachofra e a substituição do café por guaraná. Avisa que não há dietas milagrosas e que cada pessoa deve ter um plano individualizado e adequado ao seu estado e aos seus objectivos.

Mudar padrões mentais

Já a nutricionista Isabel Costa (www.alquimialimentar.com) é completamente contrária a uma detox como início de programa para mudar hábitos de vida e rotinas alimentares: «As pessoas querem efeitos rápidos e depois voltam ao normal. Para quê uma detox se depois voltam ao mesmo estilo de vida? Não faz sentido.» No seu programa, procura que as pessoas aprendam novos hábitos: «É preciso mudar os padrões mentais. Se uma pessoa tem quarenta anos de maus hábitos não é em cinco dias que vai mudá-los. Vale mais a pena ir substituindo as rotinas prejudiciais lentamente para termos a certeza de que não voltam. Se uma pessoa faz uma detox e depois volta aos hábitos anteriores ainda é pior. O corpo fica mais preparado para receber as "porcarias".» Ao contrário da maioria dos defensores das detox da moda, Isabel Costa só prescreve um regime restritivo deste género depois de o novo padrão alimentar estar instalado.

A dieta de Isabel Costa restringe os lacticínios, o trigo e a batata e dá grande destaque à fruta e aos sumos de legumes: «Há um sumo, que se chama luz do sol, feito com couve-galega, pepino, curgete, cenoura e maçã, a que se adiciona depois, conforme o gosto, gengibre fresco, hortelã ou limão, que é uma verdadeira delícia e que é muito nutritivo.» E água, muita água, assim como a toma de multivitamínicos e multiminerais, em conjunto com a prática de exercício e relaxamento mental.

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