Um Mussolini fortemente anti-semita, fascinado pela pujança do III Reich de Adolfo Hitler e furioso contra o Papa Pio XI, emerge do livro Mussolini Secreto, que reúne os diários íntimos da sua amante, Clara Petacci, e será amanhã publicado em Itália. Nesta obra - segundo o jornal Corriere della Sera, que publicou ontem alguns excertos - estão reunidos textos escritos entre 1932 e 1938 e que revelam aspectos menos conhecidos do ditador que governou Itália durante mais de 20 anos, entre 1922 e 1943..A 4 de Agosto de 1938, os dois amantes faziam um cruzeiro marítimo quando Mussolini confidenciou a Clara: "Já em 1921 eu era racista. Não sei como é que as pessoas podem dizer que imitei Hitler, quando ele então nem era nascido. (...) É imperioso dar um sentido de raça aos italianos para que eles não gerem mestiços, para que não apaguem aquilo que existe de belo em nós.".A 11 de Outubro, de novo no mar com Clara, o ditador declarava: "Estes sacanas dos judeus, o melhor é destruí-los todos, vou organizar um massacre como os turcos fizeram.".A 1 de Outubro de 1938, recém--regressado da Conferência de Munique, falou-lhe de Hitler: "No fundo, ele é um sentimental. Muito simpático. Quando me viu, vieram--lhe as lágrimas aos olhos." Em contraste, criticava o Papa Pio XI, considerando-o "espiritualmente próximo dos judeus" e "nefasto para a religião".