As bolachas de Santa Escolástica

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grande preocupação da Irmã Maria da Graça é que as pessoas apareçam sem avisar. "Imagine o que é alguém vir de longe, de Lisboa, e nós não termos bolachas para elas?" Madre Superiora do Mosteiro de Santa Escolástica, em Roriz, Santo Tirso, ela sabe que as Especialidades Claustrais que as 22 monjas fazem à mão, sem recurso a máquinas, não dão para todos. Então em épocas de Festas, como o Natal ou a Páscoa, nem se fala.

O que tem mais saída, inclusive como presente, é a "caixa de quilo" de bolachas de seis variedades rochedos (coco), lagartas, maizena, areadas, pão de amêndoa e sablé. "São coisas muito simples, mas que dão bastante trabalho, porque, além de nós, só temos duas senhoras que nos dão uma ajuda. E se fossemos usar máquinas perdiam a qualidade", afirma a Irmã Maria da Graça.

Com sabores delicados e pouco doces, as bolachas são óptimas para tomar com chá, café ou algum vinho mais doce, como um moscatel, um porto tawny ou um madeira. Ou então algum licor, como o do vizinho e também beneditino Mosteiro de Singeverga, conhecido também por albergar ricas colecções de borboletas e de arte africana.

Para que a sugestão de passeio fique ainda mais aliciante, refira-se ainda a espectacular igreja românica que restou do Mosteiro de Roriz, anterior à nacionalidade, que, segundo o Livro de Linhagens (séc. XIII), terá sido fundado na primeira metade do século XI por D. Touriz Sarna ou D. Toure Sarnão.

Bolinhos de mel e compotas

Voltando ao Mosteiro de Santa Escolástica e à conversa com a sua Madre Superiora, ficamos a saber que não usam nenhum conservante ou corante, nem nas bolachas (só um pouco de essência de amêndoa), nem nuns igualmente fantásticos bolinhos de mel, nem nas muitas compotas que fazem com a fruta da sua quinta. Figos, pêssegos, alperces, laranjas, kiwis, são alguns deles, havendo também de abóbora.

O mosteiro foi fundado há 70 anos e sempre teve na doçaria uma das suas fontes de sustento. No entanto, a profusão de confeitarias na região fez com que não fosse viável continuar o fabrico de doces mais elaborados. Restou, no entanto, a simplicidade destas bolachas que, mesmo ao final de semanas e semanas, continuam frescas e crocantes, como dificilmente acontecerá com as de fabrico industrial.

Uma caixa de quilo custa cerca de 11 euros. "As pessoas parece que realmente apreciam estas bolachas e há muita gente que as dá como prenda, porque acho que têm uma apresentação agradável. Mas liguem antes de vir, porque passamos muito tempo em oração, e nem sempre conseguimos ter para toda a gente", pede a Irmã Maria da Graça. Aqui fica tel. 252 941 232 ou 252 871 655.

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