Arrestado navio de extrema-direita que queria travar embarcações no Mediterrâneo
As autoridades de segurança egípcias terão arrestado junto ao Canal do Suez um navio de 40 metros, fretado por um grupo europeu de extrema-direita, cujo objetivo era "controlar" as atividades - que definem como "ilícitas" - de organizações não-governamentais (ONG), como a Save the Children, que se dedicam ao resgate de migrantes no Mediterrâneo.
A embarcação terá sido obrigada a interromper o trajeto e a ancorar devido a questões de segurança e falta de documentação. De acordo com o The Independent o comandante do navio também terá falhado na entrega de uma lista completa dos tripulantes. O navio C-Star tinha iniciado a viagem em Djibouti - pequena república africana que faz fronteira com a Eritreia, a Etiópia e a Somália - e encaminhava-se para Catânia, na Sicília. Nesse porto italiano juntar-se-iam mais ativistas à tripulação e o grupo Defend Europe daria início à sua missão que estava previsto durar entre uma e duas semanas.
Tal como explica a agência Bloomberg, o Defend Europe é uma organização de extrema-direita que reúne membros do Movimento Identitário, uma plataforma pan-europeia caracterizada pelo discurso anti-imigração e anti-Islão.
O movimento - que através de crowdfunding (financiamento coletivo) terá conseguido juntar mais de 160 mil euros para fretar o navio - acusa as organizações não-governamentais que resgatam migrantes no Mediterrâneo de tráfico humano. "Neste preciso momento ONG alegadamente humanitárias estão a traficar para a Europa centenas de milhares de imigrantes ilegais para a Europa e assim pôr em causa a segurança e o futuro do continente. São eles os responsáveis pelos afogamentos em massa de milhares de africanos nas águas do Mediterrâneo. Vamos fazer algo contra isto", pode ler-se no seu site na internet.
O objetivo dos ativistas da Defend Europe era intercetar as embarcações com migrantes antes que as ONG o fizessem e devolvê-los à Líbia.

