Arménia assegura que campanha anticorrupção não afetará relações com Moscovo

A Arménia, criticada por Moscovo pelas recentes perseguições judiciais contra responsáveis pró-russos, referiu-se hoje a "assuntos internos" e assegurou que a campanha anticorrupção do novo poder não afetará as relações com a Rússia.
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"Acompanhamos as reações internacionais aos processos internos em curso na Arménia, relacionados com o estabelecimento de um Estado de direito e de uma justiça independente e na luta contra a corrupção", declarou em comunicado Tigran Balaïan, porta-voz da diplomacia arménia.

Mas estes processos "não têm qualquer relação com a política externa da Arménia" que se destina a "reforçar as relações de aliado russo-arménias", assegurou.

O novo primeiro-ministro arménio, Nikol Pachinian, chegou ao poder em maio e desencadeou uma vasta campanha anticorrupção dirigida às antigas elites.

O antigo Presidente, Robert Kotcharian (1998-2008) foi detido na semana passada e acusado de ter manipulado as presidenciais de 2008 em favor do seu aliado Serge Sarkissian.

No âmbito do mesmo caso, Iouri Khatchatourov, secretário-geral arménio da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), aliança militar dirigida por Moscovo, que em 2008 ocupava importantes funções no exército arménio, também foi indiciado.

Estas decisões do novo poder em Erevan suscitaram na terça-feira uma reação do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, na primeira manifestação de tensão pública entre as duas capitais desde a chegada ao poder em maio de Nikol Pachinian após semanas de manifestações de protesto.

"Os acontecimentos dos últimos dias (...) contradizem as recentes declarações do novo poder arménio de que não tencionava indiciar os anteriores [dirigentes] com base em motivos políticos", declarou Lavrov.

"Isso apenas nos pode suscitar preocupação", sublinhou.

A Arménia já propôs aos países membros -- para além da Arménia e Rússia inclui a Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguízia e Tajiquistão -- para iniciar um processo de substituição de Khatchatourov, e que Moscovo já recusou.

"Em conformidade com as regras, cabe à parte arménia iniciar a revogação do seu cidadão do cargo de secretário-geral da OTSC, caso tenha sido tomada essa decisão", referiu na ocasião a diplomacia russa.

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