O Rei Abdullah ben Abdel Aziz, da Arábia Saudita, e o Presidente da Síria, Bachar al-Assad, fizeram ontem em Beirute um apelo conjunto contra a violência no Líbano. O pedido foi feito no decurso de uma cimeira entre sauditas, sírios e libaneses, encontro que visou acalmar a situação de tensão política e evitar o recomeço da guerra civil..O Monarca saudita e o Presidente sírio foram recebidos pelo Presidente do Líbano, Michel Suleiman, e chegaram a bordo do mesmo avião, proveniente de Damasco. Houve ainda um almoço entre os três chefes de Estado e os ministros do Governo de unidade libanês, membros das diferentes forças políticas. O Executivo é chefiado por Saad Hariri, filho do ex- -primeiro-ministro libanês Rafic Hariri, assassinado em 2005 e cuja morte continua na origem da actual instabilidade..A tensão política tem a ver com o facto de o Tribunal Especial para o Líbano das Nações Unidas, que investiga a morte de Rafic Hariri, estar a preparar o anúncio da responsabilidade, nessa morte, de um membro do Hezbollah, Mustafa Badr al-Din, próximo do líder do movimento, xeque Hassan Nasrallah. Na semana passada, o movimento xiita, que faz parte do Governo de unidade, recusou admitir qualquer tipo de responsabilidade no caso e acusou o tribunal de ser um "projecto israelita". Ontem, o Hezbollah mostrou-se satisfeito com a mediação das duas potências regionais..Teme-se apesar de tudo que estas tensões possam facilmente levar a confrontos entre sunitas e xiitas, tal como aconteceu em 2008, com uma centena de mortos. A Síria é aliada do Hezbollah e a Arábia Saudita apoia o partido de Saad Hariri (ele próprio um sunita), que conta também com apoio ocidental e americano.. A aproximação entre sírios e sauditas pode ter implicações regionais, mas já teve impacto no Líbano. A formação do Governo Hariri, em Novembro, só foi possível após a mediação dos dois países. Para a Síria, cujos serviços secretos foram implicados no assassínio de Rafic Hariri, o Líbano tem importância estratégica. Damasco manteve tropas naquele país durante quase 30 anos, tendo retirado em 2005, logo a seguir à morte de Rafic Hariri, e após grandes manifestações populares anti-sírias. Os sírios continuam a negar qualquer implicação na morte do ex-primeiro-ministro libanês.