Efeméride. Guerra do Yom Kippur travou-se há 35 anos."A Guerra de Outubro abriu o caminho à paz, ao crescimento, à estabilidade e trouxe nova vida à nação. Deu fé à sua capacidade para enfrentar desafios." Foi assim que o Presidente egípcio, Hosni Mubarak, definiu ontem a guerra que há 35 anos opôs os Estados árabes a Israel..Em entrevista ao jornal das Forças Armadas egípcias, Mubarak insistiu na necessidade de se manter o "espirito de Outubro" para que o país possa avançar económica e socialmente. O "espírito de Outubro" é , afinal, a unidade nacional e entre os estados árabes, como também o sublinhou ontem o jornal oficioso sírio. Em editorial, o diário Tishrin lançava um apelo a todos os árabes da região para que se unam, "tal como o fizeram há 35 anos" , e consigam assim alcançar os seus objectivos. E, recordando o que está em causa no conflito entre Israel e os seus vizinhos árabes, sublinha: "Até o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que não haverá paz com Damasco a não ser que todos os territórios sejam devolvidos.".Desde 1973 que, anualmente, o Egipto e a Síria assinalam a data como tendo sido uma vitória dos seus exércitos sobre Israel. E foi, em termos psicológicos: as primeiras 48 horas acabaram dominadas pelo avanço, a Norte, das forças sírias e, a Sul, das forças egípcias. Apostados que estavam em vingar o vexame que Israel os fizera passar na Guerra dos Seis Dias (1967), durante a qual foram ocupados os Montes Golã sírios e o Sinai egípcio. Passadas as 48 horas, a sorte mudou e as forças sírias foram de novo expulsas dos Montes Golã e o exército egípcio por pouco não ficou reduzido a pó no Sinai. Mas a vitória continua a ser recordada todos os anos e foram esses dois dias de "surpresa" para as forças israelitas que possibilitaram, anos depois, a ida do presidente egípcio Anwar Sadat a Israel e, mais tarde, as negociações em Camp David que levaram à paz, ainda que fria, entre os dois países..Em Israel, a narrativa continua a ser a da surpresa: no Yom Kippur, o dia mais sagrado do calendário judaico porque o dia do Grande Perdão, quando o país pára, os árabes atacaram. De surpresa. Mas rezam as crónicas que a surpresa não foi total: o rei Hussein da Jordânia - que não entrou na guerra - terá avisado Golda Meir do que se estava a preparar. E há a notícia da reunião de Golda com os chefes militares. Avançar com um ataque preventivo? Era o dilema que o então secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, solucionou com a frase: "Não ataque."|