O novo presidente da Associação de Industriais de Vestuário e Confecção (ANIVEC/ APIV) disse hoje à Lusa que gostava de ver as quatro associações do sector concentradas numa única. ."O meu desejo era estarmos em conjunto com a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), a Associação Nacional das Indústrias de Têxteis-Lar (Anit-Lar) e a Associação Nacional de Industriais de Lanifícios (ANIL). Uma associação única é o objectivo por que se deve lutar", defendeu Alexandre Pinheiro, no dia da tomada de posse para um mandato de três anos à frente da ANIVEC/ APIV. .Em declarações à Lusa, Alexandre Pinheiro sustentou que "se fosse possível, sem prejuízo das empresas, era bom que houvesse uma voz única no vestuário e no têxtil a pressionar os órgãos de poder". .Nos últimos anos, o presidente cessante da ANIVEC/APIV, Orlando Lopes da Cunha, empenhou-se na negociação da fusão com a ATP e Alexandre Pinheiro garante que vai retomar o projecto, mas com "exigência". ."Não sou nem nunca fui contra a fusão, mas sou exigente. Só é válida quando todos ficam a ganhar", argumentou. .Alexandre Pinheiro considera que é necessário ter em conta as especificidades das associações empresariais. "As realidades e os métodos são diferentes. O tratamento dado às empresas não pode ser diferente do que estamos a dar, em relação a projectos de formação, de internacionalização, entre outros". .O novo presidente da ANIVEC/APIV assume-se como uma "pessoa de consensos", que esteve à frente de vários projectos de cooperação associativa, como a criação o Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal (CITEVE). .Em relação ao próximo mandato, Alexandre Pinheiro promete empenhar-se para ver concretizados os apoios anunciados pelo Governo para fazer face à quebra nas encomendas, que tem afectado a indústria têxtil e do vestuário. ."Quando são lançados, os programas são vistos com grande expectativa e esperança, mas na prática não são para todos. São só para alguns", criticou. Na opinião do recém-empossado presidente da ANIVEC/APIV é preciso que as medidas não estejam sujeitas a tantas cláusulas. ."Só as empresas com capital suficiente, que mostram uma saúde forte, podem recorrer, mas há empresas viáveis, que querem continuar a resistir, que não podem aceder aos apoios, porque tiveram um simples atraso na segurança social ou nas finanças". .Alexandre Pinheiro aceitou o cargo, que desempenhou entre 1976 e 1993, porque entendeu que "era preciso alguém com experiência e um conhecimento profundo para esta quase reconstrução do sector".."Ninguém pode garantir nada em relação ao futuro, mas este é o sector português que mais vezes tem dado provas de conseguir ultrapassar crises. Tenho a certeza que vamos dar a volta, mas fica muita gente no terreno", acrescentou..O novo presidente vai dedicar-se, em exclusivo, à direcção da associação que conta cerca de 700 associados em todo o País.