Aos três anos, ele já brilhava na TV

Com uma carreira de sucesso no jornalismo, o apresentador de "Anderson", que se estreou agora na SIC Mulher, já ultrapassou as mortes do pai e irmão. Nasceu para comunicar. E fê-lo logo em bebé.
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Os cabelos grisalhos e os olhos azuis são reconhecíveis em todo o mundo. Tem dinheiro e uma carreira de sucesso. Hoje, diz sentir-se "completo". Mas Anderson Cooper, um dos jornalistas mais populares dos EUA, e cujo novo talk show, com o seu nome, se estreou este mês na SIC Mulher, já passou anos difíceis. Tempos que o ajudaram a crescer.

1967. No quente mês de junho, Cooper nasce em Nova Iorque, no seio de uma família habituada aos holofotes. O pai, Wyatt, era escritor e a mãe, Gloria Vanderbilt, popular designer de moda. Anderson teve uma infância feliz, com alguns luxos, e desde cedo começou a tratar a fama por "tu". Ainda em bebé, protagonizou uma sessão fotográfica para a revista Harper's Bazaar. Aos três anos, em 1970, já andava nas lides televisivas, ao colo da mãe, durante a sua entrevista para o The Tonight Show. Mais tarde, com nove anos, começa a fazer participações pontuais em campanhas de publicidade de marcas como Ralph Lauren, Calvin Klein ou Macy's.

É nesta atura que o jornalista passa pelo "momento mais difícil" da sua vida: a morte do pai, vítima de ataque cardíaco, com 50 anos. Anderson tinha dez. "Éramos muito parecidos, no visual, na forma de amar e no carinho pela arte de contar histórias. Até tínhamos o mesmo sentido de humor. Os livros dele fazem-me sentir que continuo ligado a ele", conta o jornalista. Aos 21 anos, a família de Anderson volta a passar por uma tragédia, com o suicídio do irmão mais velho do jornalista, Carter, na altura com 23 anos. O jovem saltou da varanda do apartamento da família em Nova Iorque, num 14.º andar. Anderson revelou que este foi o momento em que decidiu que queria seguir o jornalismo. "A perda é um tema sobre o qual penso muito e sobre o qual me debruço muito no meu trabalho. Quando se perde alguém desta forma, ficas com imensas questões por responder".

Educado pelas melhores escolas nova-iorquinas, licenciou-se na Universidade de Yale, em ciência política e relações internacionais. Mas não quis ficar por aqui. Durante um ano, decide ir viver para o Vietname, para aprender a língua na Universidade de Hanoi. Com a sua câmara, decide fazer reportagens sobre as dificuldades de vida da população, as suas tradições e curiosidades vietnamitas. O trabalho rapidamente chegou à pequena agência de notícias Channel One, que produz noticiários orientados para os adolescentes, exibidos em salas de aula nos EUA. Os artigos de Anderson começam a causar burburinho. Daí para a ABC foi um passo.

Em 1995, o jornalista torna-se correspondente da estação de informação no Vietname. Em 1999, ganha o seu primeiro programa na estação, o World News Now. Em 2001, volta para os EUA. A razão? O convite da reputada CNN para integrar a sua equipa de pivôs. Cooper nem hesitou. Começou com as manhãs informativas, em American Morning e, um ano mais tarde, o prime time já era seu, aos fins-de-semana. Em fase crescente, em 2003 ganha um programa à sua medida: Anderson Cooper 360º, um programa sobre debate e atualidade, que ainda hoje mantém na estação que continua a ser a sua casa. Nos anos seguintes esteve nos principais acontecimentos em trabalho: o tsunami do Sri Lanka, a Revolução do Cedro, no Líbano, a morte do Papa João Paulo II, o casamento real entre o Príncipe Carlos e Camilla, ou o furacão Katrina. Criticado por uns por ser demasiado "emocional" no seu discurso e adorado por outros tantos por isso mesmo, o jornalista explica: "Sim, claro que preferia não ser tão emocional e preferia não me chatear tanto com alguns assuntos, mas é difícil fazê-lo quando contas histórias de pessoas que são corajosas e que precisam de ajuda". Como já frisou a revista Broadcasting & Cable, "Anderson Cooper é o rapaz de ouro da CNN e o menino-bonito do jornalismo precisamente pelas suas coberturas apaixonadas".

Em 2005, já era considerado pela Vanity Fair como uma das estrelas mais elegantes, ao lado de galãs como Jude Law e George Clooney. Dois anos depois, começa a colaborar com o formato de informação 60 Minutos, da CBS News, ao mesmo tempo que renova o contrato com a CNN. Ganhava três milhões de euros por ano. Em setembro de 2011, arranca o talk show com o seu nome, Anderson, na CNN. Ao longo dos anos, já entrevistou algumas das maiores estrelas do mundo, como Madonna, Bono, Lady Gaga. "Já entrevistei grandes estrelas. Vou ser sincero, as que mais gozo me dão conhecer são os anónimos que têm uma grande história de vida, que tiveram que superar um grande obstáculo. Consigo aprender com eles. Têm problemas reais, vidas reais, são uma lição", explica Anderson.

Desde a estreia do talk show, alguns críticos já o chamam da versão masculina de Oprah Winfrey. Cooper ri-se com as comparações. "Não quero imitar ninguém. Só quero ser eu próprio e fazer o meu trabalho o melhor possível. A Oprah continua a trabalhar, e bem. Eu não ofereço carros, não tenho orçamento para isso. Talvez um dia", diz, bem disposto.

Com um percurso galardoado com vários prémios, entre eles três Emmy pelo seu trabalho de informação na TV, Cooper mostra-se reservado no que toca à sua vida amorosa. Não deu a conhecer nenhuma namorada, pelo que se especula que seja homossexual. Anderson não confirma nem desmente. "Acho que a minha vida íntima não tem interesse nenhum". A razão pelo mistério reside nos "erros" que a sua mãe fez no passado, tendo sido capa de vários tablóides, quando era estilista, e tendo publicado um livro de memórias contando os romances que teve com celebridades. "Não quero repetir essa estratégia, não vai dar certo", remata.

Aos 45 anos, a sua imagem de galã é um dos seus trunfos. E Anderson sabe-o. Os cabelos brancos, esses, já os tem há vários anos. "Ficar grisalho é um pouco como a ejaculação. Sabe-se que pode acontecer prematuramente, mas quando acontece, é um choque total".

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