"Não vai ter golpe", disse Lula aos manifestantes pró-governo

Lula falou aos manifestantes na Avenida Paulista e abandonou depois a concentração, rodeado de seguranças. Há registo de confrontos entre o grupo a favor de Dilma Rousseff e o grupo contra o governo no interior de S. Paulo e outras zonas do Brasil.
Publicado a
Atualizado a

"Não vai ter golpe"; gritou o antecessor de Dilma Rousseff. Foi seguido, em coro, pelos manifestantes pró-governo na Avenida Paulista, uma massa vermelha de 80 mil pessoas, de acordo com os números da Polícia Militar, citados pela Folha de S. Paulo.

Lula da Silva chegou pouco depois das 19.00 à manifestação (mais três horas em Portugal Continental), discursou durante 20 minutos e deixou a zona rodeado de seguranças. Houve aplausos ao ex-presidente e palavras de apoio como "Lula guerreiro" e "não vai ter golpe".

"Eles têm que saber que essas pessoas aqui de vermelho produzem o pão de cada dia do povo brasileiro, não foram convocadas pelos meios de comunicação e sabem o valor da democracia e o valor de um pobre subir um degrau na escala social deste país. Sabem o que é a filha de uma empregada doméstica chegar à universidade", disse Lula no seu discurso aos manifestantes e para os meios de comunicação.

O Correio Braziliense recolheu outras declarações de Lula:

"O que vocês estão fazendo aqui espero que seja uma lição para aqueles que falam em democracia mas não acreditam na democracia".

"O povo não quer que democracia seja apenas uma palavra na constituição. Ele quer trabalhar de verdade, estudar de verdade, ter direitos".

"Eu não vou lá para brigar. Eu vou lá para ajudar a companheira Dilma a fazer as coisas que ela tem que fazer no país";

"Esse país tem que voltar a crescer, tem que ter convívio civilizado e democrático";

"Eu não quero que o eleitor do Aécio vote em mim. Eu quero que todos compreendam que democracia é conviver com a diversidade".

Depois de discursar, Lula abandonou o local, rodeado de seguranças.

Manifestações por todo o país

A Avenida Paulista, em S. Paulo, concentrou a maior manifestação de apoiantes de Dilma Rousseff. As ações pró-Governo também aconteceram em outros 24 estados.

Estima-se que estejam entre 150 e 250 mil pessoas na rua, em S. Paulo.

O número de manifestantes só foi confirmado pela Polícia Militar às 21.00 locais, quando a Folha de S. Paulo avançou com um número oficial das autoridades: 80 mil. Os organizadores da manifestação garantiam que no local que estariam 500 mil pessoas na mais importante avenida da cidade de S. Paulo.

A concentração em S. Paulo é a maior, mas a Folha de S.Paulo adianta que esta manifestação regista, "de modo geral" menos pessoas do que a concentração a favor da destituição do último domingo.

A Avenida Paulista foi fechada para esta manifestação pró-Dilma Rousseff.

É o terceiro dia de protestos na rua, à medida dos acontecimentos no Planalto. Lula ia tomar posse como chefe da Casa Civil, o juiz Sérgio Moro pôs na rua escutas entre o ex-presidente e Dilma Rousseff com uma conversa que considerou suspeita, a tomada de posse foi suspensa. Hoje, voltou tudo ao princípio. Mas Lula só foi ministro por três horas. Outra decisão judicial travou a sua tomada de posse efetiva.

[artigo: 5084913]

Incidentes em vários locais

O Estadão avança que apoiantes da nomeação de Lula para o ministério da presidência entraram em confronto com manifestantes contra Dilma ao fim da tarde de sexta-feira, no interior de S. Paulo. O grupo crítico do governo tentou impedir manifestantes a pró-governo de chegarem à Avenida Paulista. A discussão acabou em violência.

Em Belo Horizonte, Minas Gerais, 15 mil pessoas estão na rua, diz o Correio Braziliense. Em Brasília, são 4 mil. Cerca de 1680 polícias patrulham a zona, onde ontem houve incidentes com manifestantes pró-destituição de Dilma Rousseff. Foram apreendidas armas brancas, de acordo com o mesmo jornal.

As manifestações começaram cerca das 16.00 locais e às 21.00 (meia noite em Lisboa) os manifestantes começaram a dispersar.

Durante o dia, Lula foi ministro por decisão da justiça e voltou a deixar de ser.

[artigo:5085124]

Dilma Rousseff fez um discurso crítico sobre o uso de escutas a presidentes. "Nós consideramos uma volta atrás na roda da história a politização de qualquer desses órgãos", disse a presidente, referindo-se à justiça brasileira.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt