Os políticos, com canelas em perigo, aprendem depressa. A direita francesa tirou, rápido, a lição do naufrágio de Fillon. Este fora escolhido não através da prudência do partido mas através de primárias (com a mesma "democracia" com que o Facebook conta cliques nas fotos de gatinhos). Então, a direita já diz agora: "Connosco foi a primeira primária e a última." Também Emmanuel Macron escutou conselhos gerais para na segunda volta, contra uma Marine Le Pen que vende convicção, ele precisar de ser mais firme. Ontem, Macron, na sua primeira entrevista televisiva depois de domingo, avisou: nas legislativas de junho, os políticos socialistas e de direita que o apoiam não devem contar com alianças de listas. Eles que saiam dos seus partidos e se juntem ao seu movimento centrista. É de quem tem voz grossa. Macron não estava a pensar no apoio parlamentar de que vai precisar, caso chegue ao Eliseu. Ele estava consciente é de que para chegar lá precisa de se mostrar forte já. E, também ontem, na sua segunda entrevista televisiva, Marine Le Pen começou por proclamar: "Não sou a candidata do Front National, sou a candidata apoiada pelo Front National" - frase retorcida para que o seu partido de extrema-direita não a prejudique na campanha final. Ela aprendeu rápido que uma coisa é ser pequeno e radical e, outra, concorrer ao grande prémio. A aprendizagem rápida de todos eles não é talvez sincera. Mas, ao mudarem, é sempre homenagem ao eleitor.