Anúncio do Presidente da Argélia não marca recuo do poder nem vitória da rua - analista

A retirada da candidatura a um quinto mandato do Presidente argelino, e o adiamento das presidenciais de 18 de abril não marca um recuo do campo presidencial nem uma vitória da contestação, considerou hoje uma analista.
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Em declarações à agência France Presse, a professora de Ciências Políticas na Universidade Argel 3, Louisa Dris-Aït Hamadouche, indicou que a mobilização da próxima sexta-feira, a quarta consecutiva de manifestações, dirá se as propostas do Presidente Abdelaziz Bouteflika conseguiram acalmar os protestos.

"(...) a verdadeira resposta será na sexta-feira. Se a mobilização continuar forte a nível nacional a resposta a estas propostas será evidente", considerou.

Face a uma contestação inédita desde à sua chegada à Presidência há 20 anos, o chefe de Estado argelino anunciou na segunda-feira que não disputará um quinto mandato e que as eleições de 18 de abril serão adiadas até que uma nova data seja marcada por uma "Conferência Nacional". Esta deverá elaborar uma nova constituição, a aprovar em referendo.

A analista argelina considerou que as propostas apresentadas na segunda-feira por Bouteflika são "uma reprodução das propostas da carta de 3 de março na qual anunciava a sua candidatura".

"Estamos na mesma lógica, a mesma filosofia, o que explica as reações globalmente hostis", adiantou à AFP.

Na apresentação da sua candidatura ao Conselho Constitucional, Bouteflika comprometia-se a, caso fosse eleito, não cumprir a totalidade do mandato e retirar-se após presidenciais antecipadas, marcadas após uma "conferência nacional" para "debater, elaborar e adotar reformas políticas, institucionais, económicas e sociais".

O Presidente empenhava-se ainda na "elaboração e adoção por referendo popular de uma nova Constituição".

Segundo Louisa Dris-Aït Hamadouche, "a utilização da noção de retirada (da candidatura presidencial) visava (...) criar o sentimento de uma vitória", mas o presidente prolonga o seu mandato e "autoproclamou-se garante do processo" de transição.

A professora universitária assinala que "não há retirada porque não há presidenciais" e quanto à data do próximo escrutínio para escolher o chefe de Estado diz que "o prazo de um ano que foi mencionado" lhe parece "muito curto".

"É preciso organizar a Conferência Nacional, elaborar e redigir uma nova Constituição, fazê-la aprovar por referendo e organizar umas presidenciais. Tudo isto leva tempo", explicou.

Louisa Dris-Aït Hamadouche assinalou ainda que tudo aquilo depende ainda de um "compromisso com o processo" que considerou não ser "de todo certo no momento".

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