Antigo ditador etíope encontrou-se com ex-primeiro-ministro do país no Zimbabué

O antigo ditador da Etiópia, o coronel Mengistu Haile Mariam, encontrou-se hoje com o ex-primeiro-ministro etíope Hailemariam Desalegn em Harare, capital do Zimbabué.
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O encontro entre Hailemariam, primeiro-ministro até à sua demissão em abril, e Mengistu surpreendeu os etíopes, que assim puderam voltar a ver Mengistu desde que este abandonou o país, em 1991, e que desde então raramente é visto.

A foto do encontro entre Mengistu e Hailemariam, este no Zimbabué enquanto chefe da missão da União Africana encarregue da observação das eleições no país, foi amplamente difundida nas redes sociais, com os etíopes a mostrarem o seu agrado com o aspeto físico do antigo ditador.

"Mengistu ganhou peso e parece muito velho. Estou muito surpreendido por ver essa foto", escreveu Seyoum Teshome, um bloguer crítico do regime, na rede social Facebook.

Mengistu liderou os militares que derrubaram Haile Selassie, o último imperador da Etiópia, em 1974, tendo gerido o país com punho de ferro durante 17 anos.

Enquanto esteve no poder, aplicou medidas duras e repressivas como a "Red Terror" ("Terror Vermelho"), que terá matado dezenas de milhares de etíopes, com algumas estimativas a apontarem para centenas de milhares.

"Mengistu é um homem com muito sangue nas suas mãos", escreveu Martin Plaut, um especialista em questões políticas da África Oriental na plataforma de microblogues Twitter.

O ex-ditador fugiu para o Zimbabué após perder o poder e escapou a uma tentativa de homicídio em 1995, enquanto fazia exercício perto da sua casa em Harare.

Robert Mugabe, antigo Presidente do Zimbabué, recusou os pedidos do Governo etíope para a extradição de Mengistu.

O ex-ditador etíope apoiou a guerrilha de Mugabe na luta contra o regime branco de Ian Smith, na então Rodésia, atual Zimbabué.

Mengistu foi julgado à revelia na Etiópia, tendo sido, em 2007, condenado a prisão perpétua por genocídio.

No seguimento da libertação de vários presos políticos, o atual líder da Etiópia, o primeiro-ministro Abiy Ahmed, tem recebido vários apelos para permitir o regresso de Mengistu ao país e evitar que este vá para a cadeia.

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