Angola/Acidente: Presidente angolano consternado com colisão que fez 18 mortos

O Presidente angolano, João Lourenço, manifestou-se hoje consternado com o acidente ferroviário ocorrido na terça-feira no sul de Angola, que provocou, segundo os últimos dados oficiais, 18 mortos e 14 feridos, dez deles em estado grave.
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Numa mensagem, João Lourenço, que se encontra em Pequim, onde participou no III Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), referiu tratar-se de um "acontecimento trágico", em que várias famílias ficaram enlutadas.

"Recebi com profunda consternação a notícia do acidente ferroviário entre dois comboios que colidiram na rota entre o Lubango e Namibe, tendo provocado várias vítimas, entre mortos e feridos. Trata-se de um acontecimento trágico em consequência do qual várias famílias perderam prematuramente os seus entes queridos, sobre cujas memórias me inclino com dor e tristeza", escreveu João Lourenço.

Segundo o chefe de Estado angolano, que apresentou condolências às famílias enlutadas e desejou melhoras aos feridos, as autoridades competentes vão agora tomar as "medidas que se impõem" para apurar as causas da "fatídica ocorrência", para que se possa prevenir, "com rigor", a repetição de casos idênticos.

O segundo comandante dos Serviços de Proteção Civil e Bombeiro no Namibe, Simão João Faísca, disse hoje que o número de mortes provocadas pela colisão de duas locomotivas no sul de Angola subiu para 18, na sua maioria cidadãos angolanos e chineses, havendo ainda 14 feridos, dez deles em estado grave.

Quatro maquinistas - dois angolanos e dois chineses - morreram, bem como vários jovens que se encontravam a trabalhar no serviço de manutenção da linha férrea dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes.

O acidente ocorreu na terça-feira ao quilómetro 150 do troço que liga o Namibe a Bibala, próximo da localidade de Muninho e deveu-se a erro humano.

Simão João Faísca indicou que dez dos 14 feridos estão em estado grave, pelo que foram transportados para o hospital central da província vizinha da Huíla, enquanto os restantes quatro, atendidos no hospital de Bibala, a 180 quilómetros do local do acidente, já receberam alta.

O Governador do Namibe, Carlos Rocha da Cruz, admitiu que o número de mortes pode subir, já que existem feridos graves.

"Aguardamos por uma equipa do Instituto Nacional dos Caminhos-de-Ferro de Angola (INCFA), que, nestas circunstâncias, desencadeia um inquérito para apurar as reais causas", disse, indicando que a circulação de comboios entre o Lubango e o Namibe está suspensa até que se removam as duas composições.

Segundo o diretor dos CFM, Daniel Quipaxe, o acidente ocorreu terça-feira às 06:30 (mesma hora em Lisboa) e garantiu ter tido origem num erro humano.

Daniel Quipaxe disse que o técnico em serviço "calculou mal as distâncias e mandou avançar uma composição de carga e a de uma empresa chinesa de manutenção da linha.

Segundo o gestor, o operador será responsabilizado disciplinar e criminalmente pelo sucedido.

"A colisão deu-se entre o comboio que seguia no sentido Lubango/Namibe, que transportava granito, e o que fazia a manutenção da via, sob responsabilidade chinesa, que circulava no sentido contrário [Namibe/Bibala]. Infelizmente aconteceu o acidente, que resultou em danos humanos e materiais", explicou.

O troço entre Lubango e Moçâmedes, construído em 1923, tem a extensão de 260 quilómetros, tendo chegado à província da Huíla a 31 de maio do mesmo ano.

A linha não tinha registado quaisquer incidentes até fevereiro deste ano, quando uma composição de carga descarrilou na zona da Mapunda, sem provocar vítimas.

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