O país latino-americano que na madrugada de sábado foi alvo de um sismo de magnitude 8,8 consiste numa faixa de terra, balizada entre alturas de seis mil metros nos Andes e profundidades de quatro mil a seis mil metros no mar. Todo o seu território está situado entre os cumes e as flancos de maior magnitude do planeta. .Estatisticamente, a interacção das placas tectónicas de Nazca e da América do Sul produz um sismo arrasador a cada dez anos, uma média de dez pequenos tremores de terra todos os dias e 3500 movimentos sísmicos por ano, segundo dados do Instituto de Geofísica da Universidade do Chile, citados pela agência EFE. .Nos dois últimos séculos, houve vários sismos com efeitos devastadores no Chile: Valparaíso, Concepción, Caiapó e Arica foram abalados entre 1822 e 1877. Valparaíso, Chillán, Arauco, Talca, Bío Bío, Talca, Coquimbo, Santiago do Chile, Aconcagua, Antofogasta e Santiago de la Serena tremeram entre 1906 e 1997. .O terramoto mais destruidor de que há memória no Chile aconteceu, no entanto, em 1960. Em apenas cinco dias, entre 21 e 26 de Maio desse ano, uma série de sismos de grau 7 atingiu a zona do Sul do Chile, causando entre cinco mil e seis mil mortos. O de dia 22, em Valdivia, superou os 9 graus na escala de Richter e foi considerado o maior alguma vez registado no mundo, originando um tsunami de dez metros de altura que chegou até ao Havai: 61 pessoas morreram neste estado norte-americano. Este sismo libertou a maior quantidade de energia alguma vez medida num terramoto, com uma ruptura de falha da ordem dos mil quilómetros e um deslocamento de 20 metros. Isso mudou a geografia de pelo menos mil quilómetros quadrados da costa chilena. .Já no século XXI, registaram-se abalos em 2001, 2005 e 2007, em Arica, Iquique, Aysén, Tocopila e Santiago do Chile. O de sábado teve epicentro em Parral, a 35 quilómetros de profundidade.