Os factores ambientais têm efeitos cada vez mais graves na saúde. O aumento de doenças oncológicas, cardiovasculares e respiratórias e de stress, fadiga e hipertensão está relacionado com problemas de poluição da água, do ar, dos solos e de muitos outros poluentes menos conhecidos, alertam os especialistas. Para avaliar e prevenir as consequências destes agentes, o Governo aprovou este mês um plano de ambiente e saúde que durará até 2010..Às conhecidas fontes de poluição - o ar, o ruído e a água - vão-se juntando muitas outras. Em causa estão os químicos e novos poluentes presentes nos solos, nos alimentos, nos edifícios e até nos objectos com os quais lidamos diariamente impressoras, computadores ou ares condicionados. O plano governamental alerta ainda para os efeitos adversos de alguns agentes existentes nos edifícios: as emissões de poluentes químicos, a contaminação microbiológica, as condições de temperatura, de humidade relativa do ar e iluminação, o ruído, a vibração, as radiações e até os odores. Estes agentes não têm uma acção isolada na saúde humana, explicou o médico de saúde pública Mário Durval ao DN. "Mas como são factores que potenciam as fragilidades do sistema imunitário, contribuem para a diminuição da resistência do indivíduo à doença.".A poluição atmosférica (que contém partículas de ozono, óxido de azoto, monóxido de carbono ou dióxido de enxofre) deriva do tráfego automóvel, da queima de combustíveis fósseis, das indústrias, mas também do tabaco e dos fogos. .As consequências já foram demonstradas pela União Europeia (UE), que, num estudo recente, revelou que em Portugal morrem por ano quatro mil pessoas devido à poluição no ar. No panorama global da UE, o número sobe para 300 mil e prevê a redução da esperança média de vida em nove meses. O plano nacional refere que estes efeitos "traduzem-se no aparecimento e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares nas crianças, idosos e indivíduos com problemas respiratórios". Há partículas que podem causar a morte..ar interior. A qualidade do ar interior, deteriorada por fracos sistemas de ventilação, tabaco, radiações de equipamentos tecnológicos e microrganismos patogénicos, também causa preocupações. As entidades de saúde alertam para os perigos que escondem as impressoras, as alcatifas ou mobiliário de escritório e materiais de construção amianto e produtos sintéticos. As consequências na saúde traduzem-se em náuseas, dores de cabeça, irritação de olhos e garganta, desconcentração e muita fadiga..O Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde, feito pelas entidades dos ministérios do Ambiente e da Saúde, foi concluído este mês e traça directrizes em diversas áreas ar, água, solos, produtos químicos, ruído, alimentação, radiações, entre outros. O objectivo é avaliar os riscos destes agentes, monitorizá-los e diminuir o seu impacto..Este trabalho é, na opinião da pneumologista Fátima Santiago, uma missão quase impossível. "Os riscos estão identificados, mas nunca há vontade política e económica para implementar medidas." Isto porque, acrescenta, "implicam mudanças estruturais, ao nível das entidades e políticas mas também do comportamento de cada pessoa". Mudanças que vão desde novas regras de alimentação até à escolha de ambientes mais saudáveis no trabalho, em casa e no lazer . "É preciso coragem para reinventar modos de vida", conclui a pneumologista. "Um trabalho de gerações e não de anos", diz Mário Durval.