Amazon Video em Portugal, notícias falsas e mudanças

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Vem aí um concorrente ao Netflix (e ao NPlay da NOS): a Amazon Video. O gigante da internet vai trazer o seu serviço de video on demand para Portugal já em dezembro. O anúncio, no entanto, foi feito de uma forma enviesada... O que está em causa é a transmissão internacional do Grand Tour, a nova produção da Amazon criada pelo trio Jeremy Clarkson, James May e Richard Hammond, os homens responsáveis por transformar o programa de automóveis Top Gear, da BBC, num fenómeno planetário.

Despedidos da estação pública de televisão britânica (ou melhor, Clarkson foi demitido, os outros saíram com ele), os três apresentadores e o produtor do mais espetacular programa de automóveis da história encontraram nova casa na Amazon. O Grand Tour estreou-se na quinta-feira, mas o serviço está limitado a alguns dos países em que o gigante das compras online tem site local (como os EUA ou o Reino Unido).

Só que... quem procure no Google informação sobre a possibilidade de ver o Grand Tour em Portugal descobre uma página da Amazon em que se anuncia que o serviço estará, em dezembro, disponível em mais 200 países, para aquilo a que chamam a "transmissão internacional" do programa.

O utilizador é mesmo convidado a inscrever-se com o seu e-mail para ser avisado do lançamento.

Não há mais pormenores conhecidos, como data precisa ou preços, mas é quase certo que a oferta de conteúdos será limitada. Só que muitos dos filmes ou séries que a Amazon Video oferece nos EUA ou no Reino Unido têm os direitos de transmissão para Portugal adquiridos por outros distribuidores, como a Fox, o AXN ou o próprio Netflix. Disponíveis estarão, seguramente, as produções da própria Amazon. E se o Grand Tour é um must para todos os que gostam de automóveis, também lá estará com certeza a fantástica série The Man in The High Castle - cuja segunda temporada estreia--se precisamente em dezembro. Ela, por si só, é capaz de justificar o preço da assinatura.

EUA: Facebook decidiu eleições?

É pouco realista dizer que o responsável pela vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas foi o Facebook e, concretamente, as notícias falsas publicadas nesta rede social.

No entanto, esta polémica que tem estado na ordem do dia traz à ribalta uma questão importante, que não é de hoje mas que muitos fazem por ignorar: que capacidade têm os utilizadores comuns das plataformas online de filtrar a verdade da mentira? A existência de meios que se dizem de comunicação social que mentem não é nada de novo nos EUA. Os "tabloides de supermercado", como o National Inquirer, há décadas que o fazem. Aliás, vivem disso.

Tais publicações já escreveram que Hillary Clinton teve um filho de um extraterrestre! Não terá sido por isso que ela perdeu as eleições, mas os meios online (redes sociais e não só - ainda hoje há quem envie a todos os seus contactos e-mails com "histórias" ou "notícias" em que se limitam a comentar "não sei se é verdade, mas...") dão a estas falcatruas um alcance até agora inatingível. Nos últimos meses, muitos ficaram a acreditar que Michelle Obama é um homem ou que Barack é muçulmano.

Razão teve o astrofísico Neil deGrasse Tyson ao afirmar, no programa de Stephen Colbert, que o "trabalho dos próximos quatro anos" terá de ser: "Make America smart again."

Adeus à nossa casa

Uma nota (ainda mais) pessoal acerca da mudança, que se concretiza neste fim de semana, do Diário de Notícias. Sai do prédio com o seu nome no número 266 da Avenida da Liberdade, onde passei a maior parte dos últimos 12 anos. Francamente, tenho dificuldade em descrever o que sinto neste período. Peço-lhe por isso, caro leitor, que leia - se é que já não o fez - a "Carta aberta à minha casa" que o Ferreira Fernandes publicou no DN este sábado. Está lá tudo.

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