Alpinista João Garcia volta a escalar o Evereste, agora em BD

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Ricardo Gabral é o autor do livro apresentado no Festival da Amadora

Vários anos depois, seria ele o único português a conquistar o cume do Evereste sem recorrer a oxigénio artificial, inscrevendo a sua marca na história do alpinismo. Mas João Garcia também foi criança. Cresceu no Bairro dos Olivais, exactamente como o desenhador Ricardo Cabral. Esfolou os joelhos a jogar futebol, ao mesmo tempo que sonhava com voos mais altos na vida. Um e outro, João e Ricardo, juntam-se agora num livro leve, arrumado nos quadrados da banda desenhada. Eles são o herói e o criador de Evereste, (re)lançado na quinta-feira com chancela da Asa.

"O projecto nasceu de uma ideia que foi ganhando forma na minha cabeça e se consolidou quando, na exposição 'Mundo Aventura' organizada aqui nos Olivais, surgiu a melhor oportunidade para concretizá-la", conta ao DN o autor, Ricardo Cabral. A mostra já foi rodada em alguns centros comerciais da grande Lisboa: reúne um grupo de aventureiros nos painéis de fotos patentes ao público e goza de prestígio junto dos amantes das actividades radicais. Como sempre, a sorte nasceu do acaso.

"Fui a essa exposição por curiosidade e aí encontrei um antigo colega meu dos escuteiros, o Farinha, que também conhecia o João Garcia e nos pôs em contacto", explica Ricardo, orgulhoso do livro que lhe nasceu das mãos. Nunca foi ao Evereste "por falta de oportunidade e porque a exigência física das escaladas não é para todos", mas documentou-se a fundo na Net, em vídeos, fotos e material diverso facultado pelo alpinista. A obra tornou-se livro. Duas vezes.

"No início deste ano o projecto teve uma primeira edição institucional, patrocinada pela Câmara de Lisboa e a Junta de Freguesia dos Olivais, e destinada aos alunos das escolas da zona", refere João Garcia, satisfeito com esta "abordagem pedagógica do alpinismo" que viria, desde logo, a despertar mentalidades.

O tempo passou, entretanto, o autor seguro de que tinha feito uma boa BD, o retratado a reconhecer-se cada vez mais nos traços da personagem que o pôs a escalar montanhas também no papel. O facto de João estar mais à vontade na Asa e de a responsável pela banda desenhada da editora ter abraçado a obra, contribuíram para o (re)lançar do Evereste em edição revista e ampliada, mais comercial e acessível a todos.

"Confesso que no princípio estava um bocadinho céptico em relação ao resultado, não imaginava que a BD tivesse todo este potencial", reconhece o alpinista, tirando o chapéu ao ilustrador: "Eu escalo montanhas, escrevo alguma coisa, mas desenhos não faço, de todo", sublinha. Superar--se nas alturas é a sua meta pessoal, não pretende reivindicar outros créditos que não esses. "Revejo-me neste Evereste mas o autor do livro é só o Ricardo", diz. "Eu sou apenas o bonequinho que ele criou."

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