Alimentos proibidos também são um problema

Não comer carne pode ser opção de vida, mas a carência de proteínas pode ser grave, como atraso no crescimento e anemia, alertam nutricionistas
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Cristina Rodrigues, de 28 anos, está em processo de se tornar vegan, ou seja, não come carne, nem peixe, e quase não toca nos derivados animais, como lacticínios ou ovos. "Regemo-nos por questões éticas de defesa animal", explica a jovem que decidiu aderir ao movimento. Mas rejeitar certos alimentos pode trazer complicações para a saúde, como ficar mais susceptível a uma anemia.

"A alimentação vegan tem muitas restrições e tem de ser muito bem orientada, uma vez que tem deficiências nutricionais ao nível de ferro, zinco, Omega3, vitamina B12, cálcio e proteínas", explica Madalena Muñoz, da Associação de Profissionais da Nutrição e Engenharia Alimentar (APNEA).

A nutricionista alerta que "se a alimentação não for muito variada e regrada, pode tornar-se perigoso e ter consequências de saúde". A falta de proteínas da carne, por exemplo, afecta o crescimento e diminui a resistência do organismo. A carência de ferro pode provocar anemia.

Para evitar estas situações, muitos vegan procuram-na. "Faço aconselhamentos e planos alimentares personalizados, de forma a minimizar a deficiência nutricional", assegura Madalena Muñoz.

 Para quem adopte este estilo de vida, à mesa nunca pode faltar leguminosas, como feijão, ervilhas e lentilhas, fruta, soja, cereais, seitan e tofu. "Ainda assim, aconselho-os sempre a tomar um suplemento de vitamina B12", diz.

A restrição a certos alimentos também tem por fundamento motivos religiosos. Esther Mucznik, da comunidade judaica portuguesa, indica algumas limitações. "Na selecção dos alimentos, na preparação e na separação", refere.

Os judeus estão proibidos de ingerir sangue, peixes sem escamas ou barbatanas, crustáceos, animais de caça, não ruminantes e sem o casco fendido, como o porco e o cavalo. "Comemos carne de vaca e de cordeiro, por exemplo, mas compramo-la nos nosso locais de venda porque a morte do animal tem de seguir determinadas regras, como esvaziar a carne do sangue", sublinha Esther.

Nurjaha Tarmahamed nasceu em Moçambique, vive em Portugal há muitos anos, mas nunca deixou de seguir os princípios do Islão. Em casa, onde vive com três filhos, todos muçulmanos, apesar de terem nascido em Portugal, ninguém consome carne de porco, considerada impura.

O Hinduísmo também rejeita o consumo de carne, principalmente de vaca, considerada um animal sagrado. A cultura védica (das antigas escrituras sagradas indianas, de onde se origina o Hinduísmo) ensina que o leite, as frutas, legumes, nozes e grãos são os alimentos correctos, por não envolverem derrame de sangue.

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