A morte de 250 mil pessoas no tsunami de Dezembro de 2004, no Sudeste Asiático, levou à criação de um sistema de alerta no Índico. Mas este não estava a funcionar na noite de segunda-feira, quando um sismo de magnitude 7,7 na escala de Richter desencadeou uma onda de três metros que destruiu dez aldeias nas ilhas Mentawai e Pagai, na Indonésia, e matou pelo menos 272 pessoas. A dois mil quilómetros, a erupção do vulcão do monte Merapi deixou 29 mortos. .Segundo o relato dos sobreviventes, não houve qualquer alerta de tsunami. Há ainda mais de 400 desaparecidos. Um responsável da Agência para a Avaliação e Aplicação de Tecnologia da Indonésia disse à BBC que as bóias de detecção da região de Mentawai foram vandalizadas e estavam por isso fora de serviço. "Não é que estejam partidas, mas foram vandalizadas e o equipamento é muito caro. Custa-nos cinco mil milhões de rupias (404 mil euros)", afirmou Ridwan Jamaluddin. .Este responsável acredita contudo que, mesmo que o alerta estivesse a funcionar correctamente, poderia não ter sido suficiente para evitar a perda de vidas. "As ilhas Pagai estão muito próximo do epicentro, por isso as ondas chegaram em apenas cinco ou dez minutos. Mesmo se as bóias estivessem a funcionar, seria tarde de mais para avisar as pessoas.".Borinte, um camponês de 32 anos, contou à AFP que foi incapaz de salvar a mulher e os três filhos, tendo apenas sobrevivido porque se agarrou a uma prancha e conseguiu manter-se a flutuar. "Quando vimos a onda, tentámos correr, mas ela foi mais rápida que nós e engoliu-nos", explicou. Outro sobrevivente descreveu "uma onda de água e espuma branca" que se abateu sobre a terra. .O mau tempo tem impedido a chegada de ajuda por mar, mas alguns helicópteros e aviões já aterraram nas ilhas, trazendo socorristas e equipamento médico. O Presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, é esperado no local da tragédia para supervisionar os trabalhos, depois de ter encurtado a sua visita ao Vietname (onde participava na cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asitático). Quatro mil pessoas perderam as suas casas por causa do tsunami e os refugiados necessitam agora de tendas, cobertores, comida, água e medicamentos. .Uma segunda tragédia natural está a atingir o país, desta vez na populosa ilha de Java: a erupção do Merapi (que significa "montanha de fogo" em javanês), depois de quatro anos adormecido. A actividade do vulcão diminuiu ontem consideravelmente, mas as autoridades indonésias dizem que a ameaça ainda se mantém. As nuvens de cinzas, que se elevam a 1,5 quilómetros de altura, obrigaram à retirada de 42 mil pessoas das suas casas e provocaram a morte a pelo menos 29 pessoas. .Entre as vítimas mortais está Mbah Marijan, o "guardião espiritual" do Merapi. O seu corpo foi ontem retirado dos escombros da sua casa, localizada a apenas quatro quilómetros da cratera. Segundo os media locais, o homem de 80 anos estava coberto de cinzas, ajoelhado em posição de oração, como se tivesse tentado, até ao fim, acalmar a cólera do vulcão. O "avô" Marijan conduzia a cerimónia anual de Labuhan, de ofertas ao Merapi.