Segundo o El País, o estudo começou em 2008 e os resultado serão apresentados oficialmente em Dezembro. A partir daí, as directivas recomendadas pela UE terão de ser cumpridas, avisa o Ministério da Saúde espanhol. Ao longo do estudo foram analisadas 2758 substâncias, para verificar se produzem os benefícios alegados na publicidade. A Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, sigla em inglês), responsável pelo relatório, baseou todas as suas decisões em conhecimentos científicos actuais e concluiu que cerca de 80% das alegações analisadas não têm sustentação na ciência, ainda que, até Dezembro, possam surgir estudos credíveis que venham a alterar os resultados..Desde há vários anos que a UE quer proibir os abusos na publicidade de alimentos, que promovem benefícios para a saúde que na realidade são falsos mas que levam as pessoas a consumirem em excesso por pensarem que os produtos são bons para a saúde ou menos perigosos que os originais (exemplo do 'light' ou 'menos sal'). Noutros casos, como denunciou a Deco (ver artigo do DN de 2005), promove-se a adição de substâncias, como o cálcio, que já se encontram por si só no produto original ou adicionam-se ingredientes saudáveis, com respectiva promoção, em produtos cujo consumo excessivo é prejudicial..Num texto publicado no seu site, a EFSA diz que os peritos chumbaram alegações em que não era identificada uma substância específica ("probiótico" ou "fibra dietética"), em que não havia provas do benefício alegado (como "propriedades antioxidantes" ou "eliminação de líquidos"), em que a alegação de saúde era pouco específica ("energia", "vitalidade" ou alegados benefícios para a saúde das mulheres ou cerebrais) ou alegações que relacionavam referências demasiado genéricas, como "frutas e vegetais" ou "produtos lácteos", com efeitos específicos na saúde..Veja aqui algumas das alegações analisadas, a conclusão da UE, segundo o El País, e os produtos publicitados com estas alegações..Alegações falsas.- Os bífidos ajudam o sistema imunitário: Falso. Cada empresa usa distintas bifidobactérias, mas a UE analisou várias estirpes e chegou à conclusão geral de que não há provas que demonstrem uma relação entre estas bactérias e a diminuição de agentes patogénicos no sistema digestivo. Em Portugal são vendidos vários produtos com adição de bífidos, como os iogurtes Activia e Actimel, da Danone, e as várias 'imitações' comercializadas com marcas dos hiper e supermercados, os iogurtes Bifidus Sonatural, o leite Bem Especial Bifidus, da Mimosa, entre outros..- As isoflavonas de soja ajudam a controlar o colesterol, a reduzir os sintomas vasculares da menopausa, a manter a mineralização óssea e a proteger o ADN, as proteínas e os lípidos da oxidação: tudo alegações falsas que constam em produtos à venda em muitas dietéticas e até nos lacticínios, como o leite UHT Isoflavonas de Soja Mimosa; os ensaios em humanos não sustentam estas alegações, vinca a UE..- A coenzima Q10 estimula o metabolismo a produzir mais energia: alegação falsa, mas que é usada em inúmeros suplementos dietéticos e desportivos, porque, segundo dizem os fabricantes, a coenzima ajuda a queimar calorias, e até em produtos de beleza, como o creme Nívea Q10..- A capsaicina ajuda a manter o peso: há um único estudo humano com esta substância, o picante dos pimentos, e não prova as alegações feitas em muitos produtos dietéticos vendidos em farmácias, ervanárias e supermercados..- Beta-glucano de aveia e de centeio reduzem o colesterol: não há provas científicas que sustentem essa alegação..- Os polifenóis do azeite ajudam a manter a concentração de colesterol bom: os estudos são inconsistentes, diz a UE..- Os mirtilos reduzem as infecções no sistema urinário das mulheres: provas insuficientes que sustentem esta alegação..Alegações verdadeiras.- O azeite ajuda a controlar os níveis de colesterol mal (o LDL): efeito provocado pelos ácidos gordos monoinsaturados e poliinsaturados que já vêm naturalmente com o azeite e que não resultam de qualquer aditivo introduzido pelos fabricantes..- As nozes ajudam a controlar os níveis de LDL, pelos mesmos motivos que o azeite..- Os esteróis vegetais, ou fitoesteróis, presentes em produtos como a manteiga Becel, ajudam a reduzir os níveis de LDL, mas tem de se consumir 0,8 gramas por dia, diz a UE..- A creatina aumenta o efeito do exercício físico, aumentando a criação de músculo: a agência determina que a dose diária deve ser de três gramas, mas não encontrou qualquer prova de que a creatina aumente a resistência durante o exercício..- A cafeína aumenta a resistência durante o exercício físico: a substância reduz a sensação de cansaço, mas tem de se tomar 3mg por quilo de peso uma hora antes do exercício, diz a agência..- Trocar o açúcar por edulcorantes, como o xilitol ou o sorbitol, reduz as cáries, pois a falta de glucose diminui a quantidade de bactérias que provocam cáries..[notícia corrigida]