Morreu António Aguiar, o verdadeiro repórter de rua

O fotojornalista António Aguiar morreu hoje, aos 83 anos. O verdadeiro repórter de rua, que mesmo depois de se reformar do Diário de Notícias, em 1995, nunca saia de casa sem a máquina fotográfica.
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O corpo de António Aguiar encontra-se em câmara ardente na Igreja de Santa Isabel, Campo de Ourique, sendo celebrada uma missa este sábado às 14:00, seguindo o funeral para o Cemitério do Alto de São João.

António Luís Santos Aguiar nasceu em Lisboa, a 4 de março de 1933. Iniciou-se na fotografia nos batizados e casamentos, passou depois para o mundo do jornalismo, tendo colaborado em jornais e revistas, como o Jornal do Comércio, Diário de Lisboa, Jornal de Notícias e República. Conciliou depois as agendas do Diário Popular e do Diário de Notícias.

Mas foi no Diário de Notícias que obteve a carteira profissional, uma conquista de Abril quando a empresa o colocou nos quadros. Aliás, dele são as grandes fotos da Revolução, também do incêndio do Chiado, como de tantos outros acontecimentos que marcam a história de Portugal.

O António Aguiar, a quem todos os camaradas conheciam e admiravam, a quem todas as figuras pública, nomeadamente os políticos, conheciam e admiravam. Mas na rua que melhor se sentia, a fotografar a sua cidade, Lisboa. Um "caçador" de imagens, de instantâneos, de apanhados. Tantos que em 1986 ganhou o 1.º Prémio do Fotojornalismo do Clube de Imprensa.

Não aprendeu as letras na escola e fez da objetiva o seu meio de expressão, com uma dedicação e uma humildade sem par. Aguiar era um repórter fotográfico que sabia trabalhar em equipa, sempre pronto a disparar, a bater a chapa, a fazer jornalismo.

Deixou o Diário de Notícias faltavam-lhe três anos para a reforma, aos 62 anos. Precisava de tempo, de não ter de cumprir horários, mas nunca pensou em deixar de fotografar. Os colegas despediram-se com uma festa surpresa e a entrega de uma objetiva. Durante muitos anos voltou ao DN e sempre com a máquina fotográfica a tiracolo.

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