O casal de agricultores - António Fonseca, 28 anos, e Regina Pereira, 25 anos, - iniciou a actividade em 2005, com ovelhas tradicionais da região da Serra da Estrela mas em Dezembro de 2008 optou por efectivos da raça israelita "porque produzem mais leite".."Como as coisas estão muito caras, temos que produzir mais leite para conseguir pagar o investimento", justificou António Fonseca, que neste momento tem cerca de 400 ovelhas. .Contou que adquiriu as primeiras 315 cabeças 'awassi' em Espanha, e que desde essa altura a produção leiteira aumentou significativamente..Referiu que uma ovelha tradicional da região produz cerca de 0,7 litros de leite por dia e que um animal da raça típica de Israel gera uma média de 2,2 litros. ."Há uma diferença de um litro e tal", apontou o jovem empresário, sublinhando que tem fêmeas que chegam a dar "três a quatro litros" de leite diários..O leite é todo vendido para uma fábrica de queijo de Seia, adiantou o proprietário, esclarecendo que produz uma média anual de 70 mil litros, correspondente a uma produção diária de cerca de 200 litros.."Já cheguei a produzir 440 litros diariamente mas actualmente, como tenho 40 borregos a mamar, tiro cerca de 200 litros por dia", referiu António Fonseca, indicando que tem cerca de 100 ovelhas em fase de ordenha..As ovelhas israelitas têm "uma linha diferente" das tradicionais, explicou Regina Pereira, esposa do agricultor, que também trabalha diariamente na exploração.."Esta ovelha tem um rabo mais largo, pata mais curta, pelo mais comprido, cabeça sempre castanha e as tetas são um bocadinho mais recheadas", relatou, acrescentando que "os carneiros saem sempre com cornos e a ovelhas sem eles"..O jovem casal de agricultores de Cabreira do Côa investiu 300 mil euros na instalação da sua exploração leiteira e teve uma ajuda do Estado de cerca de 100 mil euros..António Fonseca confessa que gostava de ter mais apoios do Governo à produção, por reconhecer que "uma ovelha não é uma máquina"..A criação de uma ovelha "até à idade em que começa a produzir leite, custa entre 75 a 125 euros", justificou.."No ano passado criei 80. Devíamos ter um apoio até termos o rebanho feito não era, toma lá 100 mil euros [para edificação do estábulo e compra das primeiras ovelhas] e mais nada", opinou..O casal reconhece que o rebanho dá muito trabalho, por isso tem uma "vida muito presa".."Não podemos ir de férias. Todos os dias temos que ordenhar, deitar-lhes a comida e manter a instalação limpa", contou Regina Pereira..Disse que na exploração agrícola "os dias são todos iguais" mas não se mostra arrependida pela opção tomada.