O relatório "Empty Shells, abalone poaching and trade from Southern Africa", divulgado pela ONG Traffic, uma organização não governamental que se dedica à monitorização do comércio de espécies selvagens, refere que a população de abalone na região austral de África corre o risco de extinção.."Outrora abundante, a população de 'Haliotis midae' está a diminuir para níveis sem precedentes. Os caçadores furtivos apanham em média duas toneladas por ano deste molusco ou 20 vezes mais do que é permitido por lei", lê-se num comunicado de apresentação do novo estudo. .A ONG estima que esta indústria ilícita na África do Sul movimente anualmente pelo menos 60 milhões de dólares (51,3 milhões de euros). ."O volume estimado do comércio ilegal de abalone entre 2000 e 2016 é de 36.958 toneladas, representando uma média de 2,1 toneladas por ano e correspondendo a mais de 96 milhões de abalones apanhados ilegalmente desde 2000", explica a organização não-governamental..O relatório revela ainda que no período de 2000-2016, 43% do abalone ilegal da África do Sul foi exportado através de países da África subsariana, sendo que 90% teve como destino o mercado de restauração em Hong Kong..Na lista de países exportadores na África Austral, que a ONG diz estarem na rota do comércio ilegal deste molusco, além da África do Sul, estão a Namíbia, Angola, Congo, República Democrática do Congo, Zâmbia, Zimbabué, Moçambique e eSwatini (Swazilândia)..De acordo com o relatório, a prática é acentuada na província sul-africana do Cabo Ocidental, litoral atlântico, onde as disparidades socioeconómicas levam gangues locais a reclamar territorialmente quotas de pesca em busca do cobiçado molusco, estando também associadas ao narcotráfico, com o envolvimento de "sofisticadas redes criminosas transnacionais"..Segundo a Traffic, existem várias espécies deste molusco, mas aquela que é comercialmente colhida na África do Sul é o 'Haliotis midae' ou abalone sul-africano, como é localmente conhecido..O relatório refere também que o comércio desta espécie fora da África do Sul não se encontra regulado, pelo que recomenda a listagem destas espécies na CITES, a convenção das Nações Unidas sobre o comércio mundial de animais e flora selvagem em risco de extinção.