Advogados de defesa de Lula da Silva denunciam autoridades judiciais brasileiras em Genebra

A equipa jurídica de Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje, em Genebra, a "inocência" do seu cliente e denunciou as autoridades judiciais brasileiras por terem processado, julgado e condenado o ex-Presidente do Brasil "sem provas".
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O advogado australiano Geoffrey Robertson e a advogada brasileira Valeska Teixeira Zanin Martins afirmaram em conferência de imprensa que "o julgamento de Lula da Silva tem sido excecional e único no mundo devido à falta de conformidade com as normas legais".

Os dois relataram que o ex-Presidente "está preso em confinamento solitário", sujeito a "tortura psicológica", porque Lula da Silva só pode ver a família e amigos uma vez por semana.

Além disso, os advogados voltaram a enfatizar que o antigo chefe de Estado brasileiro foi condenado sem provas.

"Nunca foi provado que ele tomou um centavo de dinheiro público, todas as evidências e todos os testemunhos disseram isso e, apesar disso, eles o condenaram", denunciou Valeska Teixeira Zanin Martins.

Já o advogado Geoffrey Robertson ressaltou o facto de que Lula da Silva ser o candidato do Partido dos Trabalhadores(PT) nas eleições presidenciais em outubro enquanto está proibido de qualquer tipo de atividade política.

"Os outros candidatos estão em campanha e Lula nem dá entrevistas", salientou.

Os dois advogados concluíram que o ex-Presidente está "convencido de que vai limpar o seu nome e que provar ser inocente, a todo custo".

Em 22 de maio, o Comité de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) rejeitou o pedido de defesa do ex-Presidente brasileiro para evitar que ele fosse preso.

O Comité entendeu que não foi provado que o Estado brasileiro estivesse a violar de maneira irreparável alguns dos direitos de Lula da Silva incluídos na Convenção sobre Direitos Civis e Políticos.

Desde 2016, o Comité estuda uma outra denúncia contra o Estado brasileiro por suposta "perseguição judicial" contra o ex-Presidente.

Este processo continua e, dados os prazos estabelecidos para que todas as partes possam expressar seus argumentos, a decisão final não será conhecida até 2019.

Lula da Silva foi condenado por corrupção por ter supostamente recebido um apartamento de luxo na cidade de Guarujá, no litoral de São Paulo, para em troca beneficiar contratos da construtora OAS com a estatal petrolífera brasileira Petrobras.

O antigo chefe de Estado foi sentenciado em julho do ano passado a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e branqueamento de capitais, uma pena que foi estendida em janeiro passado para 12 anos e um mês por um tribunal de apelação.

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