Advogado de Battisti no Brasil diz que desconhece paradeiro do italiano

O advogado do italiano Cesare Battisti, condenado em Itália por quatro assassinatos na década de 1970, disse hoje desconhecer o seu paradeiro, depois de a Justiça do Brasil ter ordenado a sua prisão imediata para ser extraditado.
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O advogado Igor Tomasauskas afirmou à agência Efe que já não consegue falar com seu cliente mesmo antes da decisão emitida pelo juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, que na quinta-feira determinou a prisão de Battisti, acatando um pedido da procuradora-geral da República do Brasil, Raquel Dodge, a fim de "evitar o risco de fuga" e garantir a eventual extradição para Itália.

"Ele [Battisti] conhece as consequências de entregar-se ou de não entregar-se", disse Tomasauskas.

Em comunicado, a defesa do italiano acrescentou que estava "surpresa com a decisão" adotada por Fux e que deve entrar com os "recursos necessários para revisar esta decisão".

Battisti foi condenado a prisão perpétua em Itália por quatro assassinatos na década de 1970, mas diz ser inocente.

Mora no Brasil e tem casa em Cananéia, uma cidade no litoral do estado de São Paulo.

A sua extradição foi vetada pelo ex-Presidente Lula da Silva, entretanto preso por corrupção, no último dia do seu mandato em 2010, mas Bolsonaro, um anticomunista declarado, anunciou que iria trabalhar para revogar a medida.

Battisti foi membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), um braço das Brigadas Vermelhas. Em 1993 acabou condenado à revelia à prisão perpétua por vários assassínios cometidos entre 1977 e 1979, o que ele nega.

Fugiu para França e, em 2004, quando este país estava prestes a revogar o seu estatuto de refugiado político, viajou para o Brasil, onde permaneceu escondido por três anos.

A sua fuga terminou no Rio de Janeiro em março de 2007, quando foi preso numa operação conjunta de agentes do Brasil, Itália e França.

O STF autorizou a sua extradição em 2009 numa decisão não vinculativa, que deixou a decisão final nas mãos do ex-Presidente Lula da Silva, que a rejeitou no dia 31 de dezembro de 2010, último dia do seu mandato.

Em abril deste ano, a Justiça arquivou a última queixa contra Battisti, que durante a sua estada no Brasil, após a decisão de Lula da Silva, foi alvo de dois processos: um sobre fuga de capitais iniciado quando tentou atravessar a fronteira do Brasil com a Bolívia em outubro de 2017 com 25.000 reais (cerca de 5,6 mil euros) e outro iniciado em abril do ano passado por ter declarado um endereço falso num documento público.

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