Filho único, Árpád Schilling recorda um desejo de infância de «se mostrar aos outros», um exibicionismo tão evidente que o levou a ser actor. «O reconhecimento de que não tinha qualquer talento não significou um falhanço total. Contar uma história, pensar na audiência, foi isso que me começou a intrigar. O teatro não me deixava», conta ao DN o encenador. Com a sua primeira encenação, Bodas de Sangue de Lorca, descobriu o prazer de dirigir actores e, ainda mais, o de poder também contar a «sua» história. «Foi um encontro feliz entre terapia e empenho artístico.» Desde a primeira encenação, Schilling adoptou um método de trabalho colectivo. «Era o método que conhecia, como actor. É assim que trabalha uma companhia e eu achei que não poderia haver outra maneira de fazer teatro.» Quando outras companhias lhe pediam para encenar, parecia-lhe uma encomenda e não arte. «Isso assustou-me.» Foi por isso que, em 1995, decidiu criar a sua própria companhia, o Teatro Krétakör.