Acordo de paz na Colômbia com balanços diferentes de Governo e guerilha

O Presidente Juan Manuel Santos e a ex-guerrilha da FARC apresentaram balanços diferentes sobre o processo de paz na Colômbia, na sequência do acordo histórico que pôs fim a mais de 50 anos de confrontos armados.
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As duas partes reuniram-se na quinta-feira em Turbaco, localidade próxima de Cartagena, para fazer um balanço da implementação do acordo assinado a 24 de novembro de 2016, noticia hoje a agência EFE.

A paz "atravessa um dos momentos mais difíceis" desde a assinatura do acordo em novembro de 2016, advertiu a Força Alternativa Revolucionária Comum (FARC), partido político que manteve o acrónimo da antiga rebelião marxista.

Os líderes da FARC denunciaram falhas da comissão de acompanhamento e verificação (CSIVI) do acordo, que integra membros do Governo e da ex-guerrilha.

Santos mostrou-se mais otimista: "Terminámos um conflito de mais de meio século, erguemos as bases institucionais e normativas e avançamos de maneira determinada na construção da paz".

Apesar de o acordo ter permitido poupar milhares de vidas e transformar em partido político a guerrilha mais antiga do continente americano, não gera o entusiasmo geral na Colômbia. E os líderes da FARC manifestaram também insatisfação quanto à aplicação do acordo.

"Há uma aplicação em curso, mas não gostaria que se deixasse de apreciar o acordo de paz devido aos debates em torno dos níveis de aplicação", considerou o antigo chefe do Governo espanhol Felipe Gonzalez, verificador internacional do processo com o antigo Presidente do Uruguai José Mujica.

O texto prevê reformas rurais e políticas, bem como um sistema de justiça para os crimes mais graves.

Mas a FARC considera que esta Jurisdição Especial da Paz (JEP) "foi alterada durante os debater no parlamento e o texto atual não é aquele que foi acordado entre as partes". O movimento está a pensar recorrer para a ONU e para o Comité Internacional da Cruz Vermelha para "exigir lealdade àquilo que foi assinado".

O líder e candidato presidencial da FARC às eleições de maio próximo, Rodrigo Londono, conhecido como "Timochenko", não estava presente, mas em recuperação em Cuba, na sequência de um acidente vascular cerebral sofrido em julho.

Gonzalez e Mujica deverão também reunir-se com o Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista), última guerrilha ativa no país, para negociações em Quito e a observar um cessar-fogo até terça-feira, data de início de um novo ciclo de conversações.

Um membro da delegação do ELN disse, em Quito, que a data deste novo eventual encontro ainda não tinha sido marcada.

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