Segundo o órgão de Justiça brasileiro, Wesley Batista liderou operações de câmbio em maio de 2017, quando ainda estava sob sigilo o acordo de delação premiada (reconhecer participação em crimes para atenuar a punição) que assinou com a Justiça, juntamente com o irmão Joesley Batista, para denunciar esquemas de corrupção no país.."À frente da Seara Alimentos e da Eldorado Celulose, Wesley [Batista] comandou operações cambiais das companhias em meados de maio de 2017, quando o acordo de colaboração premiada que ele e o irmão Joesley Batista haviam firmado ainda estava sob sigilo", lê-se num comunicado do MPF-SP.."Após a divulgação das delações, a moeda norte-americana teve alta expressiva, o que rendeu ao empresário quase 70 milhões de reais [15,6 milhões de euros] a partir dos contratos de dólar negociados dias antes", acrescentou o órgão..À época, executivos da J&F - holding que reúne as empresas dos irmãos Batista - denunciaram um amplo esquema de corrupção que envolveu altos membros do Governo, incluindo o ex-Presidente do Brasil, Michel Temer, acusado por eles de pedir e receber subornos em troca de favores..Assim que as informações sobre a delação premiada foram divulgadas pela imprensa brasileira a cotação do dólar futuro teve alta de 9%, a maior elevação diária registada em 14 anos. ."Sabedor dos impactos que tais informações causariam na economia do país - quais sejam: uma inevitável alta do dólar -, Wesley resolveu se beneficiar financeiramente da instabilidade económica que seria ocasionada com a divulgação dos termos da colaboração premiada e das provas apresentadas", disse Thaméa Danelon, a procuradora e uma das autoras da denúncia..Trata-se da segunda denúncia contra Wesley Batista pela prática do uso de informações sigilosas para obter ganhos no mercado financeiro..Em 2017, os dois empresários e irmãos viram a prisão preventiva decretada após uma investigação sobre contratos de câmbio que teriam firmado para beneficiar a fabricante de carnes JBS antes da divulgação das informações do acordo firmado por eles e outros executivos da holding J&F com a Procuradoria-Geral da República.