Acionista da Inapa contesta proposta de conversão de ações na compra da Papyrus

A Nova Expressão, acionista da Inapa, contestou hoje as taxas de conversão propostas para a transformação de ações preferenciais em ordinárias, sublinhando que o processo de conversão não é necessário no âmbito da compra da Papyrus.
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"No entender da Nova Expressão SGPS este processo de conversão não é necessário no contexto da concretização do negócio de aquisição da Papyrus. Além disso, a Nova Expressão não compreende as taxas de conversão propostas para a transformação de ações preferenciais em ordinárias, entendendo que não existem razões para que a referida conversão não seja feita por equivalência simples de uma ação preferencial por uma ordinária", defendeu, em comunicado, a acionista da empresa que se dedica à distribuição de papel.

Segundo a Nova Expressão, as propostas de conversão das ações preferenciais em ordinárias incluem uma "taxa de conversão que penaliza a posição dos acionistas não institucionais e reduz o valor das ações ordinárias" adquiridas no mercado.

"As ações preferenciais resultam de uma operação realizada há alguns anos e que então converteu a dívida da empresa nessas novas ações destinadas aos credores, que eram várias entidades bancárias", explicou.

Desta forma, as propostas de conversão "têm como efeito direto fazer diminuir o valor das ações detidas pelos acionistas privados", sendo que 15% do capital está fora dos acionistas institucionais e de referência.

"Pensamos que muitos acionistas têm pouca informação sobre este processo e sobre o risco que o seu investimento corre se a assembleia-geral aprovar a conversão com uma taxa penalizadora, que resultará na redução do valor das ações ordinárias que detêm. A presença dos acionistas na assembleia-geral é a única forma de garantirem os seus direitos e defenderem o seu investimento", lê-se no comunicado assinado pelo presidente do Conselho de Administração da Nova Expressão, Pedro Teles Baltazar.

A Nova Expressão detém 13,2% do total das ações ordinárias da Inapa e 0,45% do capital das ações preferenciais.

Em 29 de outubro, a Inapa anunciou ao mercado que vai pagar a aquisição da sociedade Papyrus Deutschland através de obrigações convertíveis no valor de 15 milhões de euros.

"O preço da aquisição da sociedade Papyrus Deutschland GmbH & Co KG [...] será pago através da entrega à OptiGroup AB de obrigações convertíveis emitidas pela Inapa no valor de 15 milhões de euros, sujeita à aprovação em assembleia geral pelos acionistas", lê-se no comunicado enviado, na altura, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Adicionalmente, será paga uma quantia "a ser diferida por um período de um ano através da emissão de um instrumento de crédito cujo valor preliminar está sujeito a ajustes nos termos do acordo de compra e venda de ações".

Em causa está um acordo vinculativo de compra de ações com a OptiGroup AB para a aquisição da distribuidora Papyrus Deutschland GmbH & Co KG.

Os acionistas da Inapa vão reunir-se em assembleia-geral em 15 de novembro para votar um aumento de capital de até 195,1 milhões de euros para efeitos de conversão de obrigações, conforme foi comunicado ao mercado em 25 de outubro.

De acordo com o comunicado enviado, à data, à CMVM, o segundo ponto da ordem de trabalhos inclui a votação da emissão de obrigações convertíveis em ações, aprovando a deliberação da emissão de 15.000 obrigações convertíveis em ações representativas do capital social, no montante de 15 milhões de euros, através da realização de uma oferta particular de subscrição.

Neste âmbito, os acionistas vão deliberar um aumento do capital social da sociedade dos atuais 180,14 milhões euros até 195,14 milhões de euros, por uma ou mais vezes, na medida em que se torne necessário para efeitos da conversão das obrigações.

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