Acesso à Internet é mais lento do que o contratado

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Os consumidores não conseguem as velocidades de acesso à Internet que contratam. Esta é a principal conclusão do primeiro estudo realizado pela Anacom - Autoridade Nacional de Comunicações sobre a qualidade do acesso à Internet em Portugal. Neste estudo foi avaliado apenas o serviço de acesso, não tendo sido considerados critérios comerciais.

De acordo com a Anacom, genericamente, os serviços de acesso em Portugal são bons quer nas ligações em banda estreita (dial-up), quer nas ligações em banda larga (ADSL e cabo). Isto apesar das velocidades propostas nunca serem atingidas. No entanto, os fornecedores de acesso (ISP) lembram que tanto na publicidade como nos folhetos e site referem que essa é a velocidade máxima, mas a Anacom admite que "a comunicação dos ISP ao mercado, por exemplo na informação publicitária, deveria, se calhar, ser melhorada", declarou António Vassalo, director de fiscalização da entidade reguladora. Com efeito, não é perceptível para o consumidor a velocidade a que navega na Internet.

A velocidade de transmissão da informação reúne 20% das reclamações que chegaram à Anacom, entre Julho de 2003 e Julho de 2004, que totalizaram 78. A maior queixa está relacionada com questões comerciais, como sejam os preços, as condições comerciais, a publicidade considerada enganosa e o atendimento. 22,2% das queixas foram referentes à disponibilidade do serviço, ou seja, ao estabelecimento e manutenção das ligações e 13,3% eram queixas relacionadas com o serviço de instalação dos equipamentos.

O estudo para a banda larga foi realizado em Setembro e Outubro do ano passado.

O estudo analisou o serviço de acesso com velocidades de 2 Mbps (Megabits por segundo) da Telepac/Sapo, Clix e TV Cabo, analisando as ofertas a 512 kpbs da Oni e Cabovisão. Na banda estreita, analisou os serviços do Sapo, Clix, Oni e Iol.

Não se podendo aferir qual o melhor ISP, o estudo, no entanto, permite concluir que quanto menor é a velocidade máxima permitida pelo serviço, mais próxima está a velocidade real conseguida pelo consumidor. Ainda assim, há que ver em que condições e em que tipo de serviços as velocidades são ou não conseguidas. Genericamente, consegue-se uma melhor velocidade nos downloads de ficheiros e nos uploads. O panorama piora no download de páginas (carregamento de sites), especialmente nas que estão alojadas em servidores internacionais.

No estudo, a TV Cabo apresenta a maior variação no download de páginas, conseguindo as maiores velocidades, mas também as menores. Especialmente nos acessos a páginas internacionais. Fonte oficial do grupo PT garantiu ao DN que os congestionamentos no acesso a links internacionais já foram ultrapassadas em Novembro.

Na análise aos downloads de páginas nacionais, a velocidade média conseguida é de apenas 1 Mbps, para os serviços contratados de 2 Mbps. Nas páginas internacionais, as velocidades ficam abaixo dos 400 kbps. No caso dos ISP com serviços a 512 kbps, a velocidade média é de 300 Kbps para sites nacionais e de 225 kbps nos internacionais. Quanto aos downloads de ficheiros, as velocidades oscilam para os fornecedores de até 2 Mbps entre os 1,688 Mbps e os 1,583 Mbps, estando o carregamento de páginas internacionais numa média de 900 kbps.

A Oni diz-se satisfeita com as conclusões do estudo. Já a Sonaecom tece críticas à metodologia do estudo e à forma como são apresentadas as conclusões. A Anacom diz que a margem de erro do estudo é de 3% com um nível de confiança de 95%. O estudo terá seguimento. C

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