Abusos sexuais. Padre pediu desculpa por difamação e colega perdoou

Ex-pároco de Canelas acusou padre de Fafe de ter cometido crimes sexuais. Ministério Público não encontrou indícios
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Marcado para esta segunda-feira, no Tribunal do Bolhão, no Porto, o julgamento do padre que foi afastado da paróquia de Canelas, em Vila Nova de Gaia, ficou sem efeito, depois de um pedido de desculpas ao padre que o levou a tribunal pelo crime de difamação, noticiou o Jornal de Notícias.

O caso remonta a 2014, quando o então padre de Canelas, Roberto Carlos, enviou uma carta ao Bispo do Porto, depois deste ter ordenado a sua saída da paróquia de Canelas. Na missiva, o padre que acabou por ser levado a julgamento, acusava Abel Maia, pároco de Fafe, de ter cometido abusos sexuais. O Ministério Público investigou, mas acabou por arquivar o caso, por não ter encontrado indícios dos alegados crimes.

Roberto Carlos acabaria por deixar de ser padre de Canelas, mas o padre de Fafe levou-o a tribunal pelo crime de difamação. Esta segunda-feira, desistiu da queixa, depois do pedido de desculpas do colega, avança o jornal.

Segundo a Lusa, os dois padres chegaram a um acordo, que pressupõe a publicação de um pedido de desculpas público em dois órgãos de Comunicação Social, nomeadamente nos diários Jornal de Notícias (JN) e Correio da Manhã (CM) pelo padre Roberto Sousa que, em 2014, acusou o pároco Abel Maia de abusar sexualmente de menor, anunciaram os seus advogados, à saída do Tribunal do Bolhão, no Porto, para onde estava agendado o julgamento, que acabou por não se realizar devido ao acordo feito.

"Fez-se um entendimento entre duas pessoas de bem, dois padres que, efetivamente, perceberam que o que estava em causa era uma questão de mal-entendido. O meu constituinte reconheceu que uma das iniciativas que tomou, enviar uma carta ao bispo do Porto a acusar o padre Abel Maia, foi um ato imponderado", disse o advogado do sacerdote Roberto, Armandino Lopes.

O causídico referiu que o padre Roberto manifesta "total solidariedade" ao sacerdote Abel Maia, lamentando o transtorno causado a si, à sua família, aos seus amigos e às paróquias por onde passou.

Por seu lado, o advogado do pároco Abel Maia, Nélson Domingues, adiantou que os dois tiveram uma "conversa franca" que permitiu "encerrar" este assunto.

"Tanto um como outro deram um exemplo, tal como dois padres devem fazer", afirmou.

Tudo começou em 2014, quando o bispo do Porto comunicou a Roberto Carlos que este seria transferido ou para a paróquia de Lousada ou para Marco de Canaveses. Roberto não gostou da ideia e pediu ao bispo um cargo de capelão hospitalar ou militar e o bispo acedeu. Dias depois, o sacerdote comunicou que afinal não vai abandonar Canelas e iniciou um braço de ferro ao qual se juntaram milhares de pessoas da freguesia.

É então que Roberto Carlos recorre à chantagem: se o bispo o mandar embora ele conta publicamente um alegado caso de abusos sexuais de um colega, crime que teria acontecido em 2003. O bispo entrega a carta às autoridades civis, que investigam a denúncia.

Em novembro de 2014 termina oficialmente o vínculo de Roberto Carlos à paróquia de Canelas. Albino Reis é designado o novo padre mas centenas de pessoas tentam agredi-lo. Sempre que pretende dar uma missa, precisa de ser escoltado pela GNR.

Em julho de 2015, o Ministério Público anuncia o arquivamento do inquérito em que Abel Maia era acusado de abuso sexual de menores. O caso chega a julgamento, que teria início hoje, mas o paróco de Fafe retira a queixa, depois de um pedido de desculpas.

Roberto Carlos não volta a assumir a paróquia de Canelas.

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