Um homem de 26 anos acusado de abusar sexualmente, de forma reiterada, de uma rapariga de 12 anos ficou ontem, por decisão do Tribunal de Águeda, em prisão domiciliária. Dois outros jovens, de 19 e 17 anos, que foram cúmplices e terão filmado um acto sexual com um telemóvel, saíram em liberdade mas obrigados a apresentações periódicas no posto da autoridade da área da residência..Um deles é suspeito de pornografia de menores, já que terá recolhido imagens de um dos actos sexuais através de telemóvel que depois seriam difundidas por amigos e colegas da vítima. Segundo colegas, a aluna do sexto ano da EB 2,3 de Valongo do Vouga viveu "dias de grande vergonha"..A Polícia Judiciária de Aveiro constatou que o caso, apesar de, aparentemente, ter sido com o consentimento da menor, causou "enorme indignação e censura no seio da comunidade escolar"..A denúncia foi feita inicialmente junto da escola por intermédio da mãe de uma amiga, também estudante, que "andava a ser incomodada" por um dos elementos do trio que a terá mesmo assediado com mensagens para o telemóvel. Depois, seria contactada a Comissão de Protecção de Menores e o Tribunal de Águeda tomou medidas preventivas, envolvendo as autoridades policiais..Todos os arguidos, amigos, são residentes em Vale Maior, Albergaria-A-Velha, e eram vistos regularmente junto do estabelecimento de ensino na companhia de raparigas com quem se relacionavam. "Dedicavam-se ao ócio, sondavam alunas e algumas prestavam-se à sua companhia", disse fonte policial..O filme mostra, alegadamente, relações sexuais entre o mais velho, desempregado, e uma das menores. .A cena terá ocorrido num casebre, no lugar da "Garganta do Rio" nas imediações da escola, num domingo à tarde, a 15 deste mês. Para além dos três indivíduos, estavam duas alunas menores. Dois casais já mantinham relacionamento..Segundo contaram alunos, as imagens com menos de dois minutos não exibem, claramente, os intervenientes, que aparecem "tapados com um cobertor", mas seriam identificados por algumas peças de roupa. .As cenas em causa, garantem, também não apresentam indícios de violação. A "única resistência" terá sido apenas num momen- to inicial quando a rapariga se apercebeu da filmagem..A vítima de abuso sexual, que faz 13 anos em 5 de Junho, foi retirada a semana passada da companhia da mãe, com quem vivia no Lugar do Sobreiro, Arrancada do Vouga, encontrando-se por ordem do Tribunal de Águeda aos cuidados de um colégio no concelho de Vagos.."Só soube do que se fala quando me chamaram ao tribunal. Disseram-me que era só por três meses que ela ficava fora de casa. O que lhe fez a maldade é que devia ser castigado", lamentou, em tom acusatório, a progenitora, Maria do Céu, 46 anos, desempregada, que tem mais duas filhas "já casadas"..Com o marido emigrado na Alemanha, tem-lhe valido a companhia da mãe idosa e "o apoio da Segurança Social", que sinalizou aquela família há muito. .A menor era também acompanhada por uma psicóloga, já que tinha alguns problemas na aprendizagem e também de fala. "Ela é muito reservada na vida dela", disse a mãe, admitindo que "por vezes" a menor lhe "levantava a mão" quando se sentia contrariada ou mais revoltada por alguma coisa. Atribui "culpas" também "a algumas más companhias", amigas que a "inquietavam para sair"..Na escola, fonte do conselho executivo garantiu que a rapariga "é uma aluna inserida" cumprindo o sexto ano "sem nada de muito anormal". Como o caso foi fora dos portões escolares, nada mais acrescentou a não ser que "as autoridades tomaram medidas sem causar transtornos no ensino"..Já a direcção da Associação de Pais e Encarregados de Educação da EB 2,3 de Valongo do Vouga, embora a par do que sucedera, preferiu não tecer comentários por ser "matéria sensível", informou a presidente Goreti Lima.