Num fim de tarde chuvoso de 1975, em Lurgan, na Irlanda do Norte, um jovem de 16 anos chamado Alistair Little, militante de uma organização armada protestante, matou a tiro um rapaz católico de 18 anos, James Griffin, como represália e aviso contra os atentados do IRA. Joe Griffin, apenas com 11 anos, assistiu ao assassínio do irmão mais velho..Little foi preso, condenado pelo homicídio de Griffin e detido por tempo indeterminado, já que, por ser menor, não podia ser formalmente condenado pelo crime. Na cadeia, Alistair Little dedicou-se a ajudar outros homens que, como ele, mataram pessoas movidos pelo ódio entre as comunidades católica e protestante irlandesas, e foram depois tomados pela culpa e pelo remorso. .Em Cinco Minutos de Paz (estreia-se hoje), o realizador alemão Oliver Hirschbiegel, autor de A Queda, e o argumentista Guy Hibbert propuseram-se dramatizar este episódio dos conflitos no Ulster, partindo do facto real - o assassinato de James Griffin por Alistair Little, testemunhado por Joe Griffin -, mas dando-lhe depois seguimento ficcional..Assim, e depois de terem obtido o consentimento dos verdadeiros Little e Griffin, foi decidido imaginar o que teria acontecido se assassino e testemunha se encontrassem mais de 30 anos depois, num programa de televisão que pretende pô-los frente a frente, em nome do "perdão" e da "reconciliação", fazendo deles representantes simbólicos das duas partes que se massacraram anos a fio. .Cinco Dias de Paz é interpretado por Liam Neeson (Alistair Little) e James Nesbitt (Joe Griffin). Segundo Neeson, "estamos a sair de 30 anos de violência, ódio e desconfiança extremos, e este filme, embora de ficção, é sobre dois homens que tentam abordá-los, de algum modo". .Ao fazê-lo, Cinco Minutos de Paz revela-se como um dos filmes mais intensos e originais, e menos simplistas e maniqueístas já rodados sobre este tema, e uma das boas surpresas do anémico Verão cinematográfico de 2009.