A simplicidade da grandeza

O dia em que conheci Mário Soares, por Luísa Salgueiro, jurista, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos.
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Em 1998, Mário Soares promoveu a criação da Comissão Mundial Independente para os Oceanos. Uma proposta que teve a aprovação da Comissão Oceanográfica Intergovernamental e que contou com o apoio da UNESCO e da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Mário Soares, na época Presidente da República, aceitou presidir à comissão mundial que viria a produzir um relatório sobre os oceanos, em 1998, Ano Internacional dos Oceanos.

Esta é a minha imagem de Mário Soares, um homem que esteve sempre no seu tempo e sempre à frente do seu tempo, com uma capacidade de nos olhar nos olhos com a simplicidade da sua grandeza, com sentido de humor, com erudição espantosa, um contador de histórias ricas, carregadas de humanismo, de experiência de vida... alguém de quem se gostava facilmente e com quem se desejava poder estar.

Mário Soares resistiu à ditadura, foi perseguido e exilado. Foi um dos maiores obreiros da nossa Democracia, consolidando os valores do 25 de Abril e elevando Portugal da condição de país pobre e periférico a um patamar de desenvolvimento europeu. Nos 50 anos do 25 de Abril a sua capacidade de acreditar nos portugueses, de nos dar confiança e ânimo, é algo que devemos celebrar.

O que todos devemos a Mário Soares é imenso, conhecido e reconhecido. O que eu devo a Mário Soares é o exemplo, a forma de estar no serviço público pelas causas certas, a capacidade de enfrentar desafios, mesmo os mais difíceis.

Nesta foto, que guardo nas minhas memórias, estou orgulhosa e feliz. Ao lado de alguém que continuo a admirar e em quem continuo a inspirar-me.

Obrigada, Mário Soares!

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