A Rute Remédios

Publicado a
Atualizado a

Houve um tempo em que os reality shows da TVI eram programas familiares. De gosto duvidoso, é certo, mas familiares. Podiam ser embrutecedores, ou lá o que as almas mais sensíveis possam querer chamar, mas não eram indignos nem obrigavam qualquer pai consciente a mudar de canal enquanto os filhos não iam para a cama. Era o tempo em que aquelas pessoas eram "gente normal - enfim, tanto quando se pode considerar normal gente que admite expor a sua intimidade e a sua vida privada a troco de uns milhares de euros. Havia jogos, havia conversa com as galinhas e, sim, também havia malandrice e sexo. Sexo debaixo dos cobertores, corpos ondulantes na noite escura, trespassada pelas câmaras indiscretas. E havia Teresa Guilherme, claro. Única, competente e imbatível. E casamenteira. Mas os tempos mudaram. Teresa continua a ser única (já não imbatível) e competente. Mas já não é o cupido que tenta a todo o transe disparar a seta que arrebata corações. Hoje, ela é mais a Rute Remédios, a mãe do Diácono de Herman, sempre com o sexo na ponta da língua. O casting foi escolhido a dedo. E, agora, sim, quanto pior, melhor. Todas estão ali por uma razão - e não, não é o dinheiro. Basta olhar cinco minutos e chega. Teresa parece gostar. Puxa por elas - e, sim, elas são bem piores do que eles -, mas a conversa gira sempre à volta do mesmo, ainda que os trocadilhos repetidos à exaustão deem à coisa um ar mais brincalhão. "Então, conte-me lá, e é só a mãozinha dele que sobe?", pergunta Teresa com aquele ar de sempre (desde 2000, afinal...), como se o dissesse pela primeira vez. Desculpem, não há paciência. Ou melhor, já não há paciência.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt