A pele que ela habita

VIRGEM PROMETIDA, de Laura Bispuri
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As questões de género são terreno fértil para um cinema profundamente humano e, na maior parte dos casos, dão origem a memoráveis interpretações. Virgem Prometida, primeira longa-metragem da italiana Laura Bispuri, entra nessa esfera temática com modéstia, encontrando num antigo costume albanês o ângulo de abordagem.

Hana, uma mulher que, para contrariar um casamento forçado, faz um juramento de virgindade eterna - sacrificando, para isso, a sua aparência feminina - é a protagonista deste retrato áspero de tradições locais. Mudando-se, dez anos depois, das gélidas montanhas da Albânia para Milão, a figura frágil, que agora se chama Mark, vai procurar, dentro de si, o que ainda resta de impulso feminino, sexualmente reprimido. E essa demanda íntima, hábil e subtilmente representada por Alba Rohrwacher (O País das Maravilhas), no âmago da vivência citadina, é o que interessa ao olhar de Bispuri.

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Pela tocante composição da atriz, Virgem Prometida pede para ser visto. Só é pena que, na forma, o filme se pareça com tantas outras obras contemporâneas, sem marca autoral pronunciada.

Classificação: **

Diário de Notícias
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