A ópera, o canto e a música

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Christoph Dammann está à vontade nos bastidores do Teatro Nacional de São Carlos: assumiu o cargo de director artístico da única casa de ópera do país, em Julho deste ano, com a alegria de alguém encantado pela música e pela cidade de Lisboa. A sua carreira esteve sempre ligada aos grandes centros europeus, com início na cidade medieval alemã de Lubeque, onde estudou piano, canto e pedagogia. Aí obteve a mais elevada classificação com o diploma de Canto da Escola Superior de Música de Lubeque na classe do professor Bernd Weikl.

Actuando como barítono em papéis principais de óperas de Mozart e Wagner, Christoph Dammann partilhou o seu tempo também com a pedagogia: é doutorado em Ciências da Cultura, o que lhe proporcionou posições de docência e investigação em vários estabelecimentos de ensino superior na Alemanha e na Áustria.

Aos 30 anos, decidiu concentrar o seu trabalho na área administrativa e artística, tendo sido colaborador do Teatro de Ópera de Hamburgo, director executivo e artístico de vários projectos de ópera e festivais, nomeadamente director executivo do Festival de Música de Steiermark, da Ópera Juvenil e do Estúdio de Ópera de Lubeque, e director artístico e administrador do Teatro de Mecklenburg, além de exercer desde 2003 as funções de director-geral da ópera dos Teatros de Colónia, onde foi nomeado vice-director em 2000 e director em 2002, acumulando com o cargo de direcção artística.

Chegou a Lisboa aos 43 anos. A sua rotina de trabalho no Teatro de São Carlos é a mais variada possível, abrangendo desde questões de gestão até decisões artísticas e organização da produção. As decisões artísticas passam pela escolha do maestro, do encenador e do cenógrafo que irão então dar vida a cada produção. A seguir têm lugar as conversas com os artistas para se delinear a forma como o trabalho será desenvolvido. E a partir daí entra-se no processo de produção, com o calendário dos trabalhos, a pesquisa e o programa financeiro.

"Em média há mais de 200 pessoas envolvidas em todo o processo. Temos de lidar com questões imponderáveis", disse Dammann ao DN, ressaltando que no São Carlos estes problemas quase não existem graças ao apoio do Governo, que mantém óptimas vias de comunicação com a instituição.

Com o apoio do Millennium bcp, mecenas exclusivo do Teatro São Carlos, Christoph Dammann sublinhou que a estrutura que aqui encontrou é semelhante à do Teatro de Colónia, com uma equipa a tratar das finanças e dos recursos humanos e outra a cuidar dos aspectos artísticos. E lembra os mais de 200 anos de actividade ininterrupta do Teatro São Carlos, desde a inauguração em 1793.

Revelando que o processo de escolha das obras é um dos aspectos mais intrincados do seu trabalho, o director artístico revela que tem sempre em mente a história da ópera e seus diferentes estilos. "Gosto de escolher um leque representativo que cobre as diferentes perspectivas da ópera. Assim, a ópera pode tocar o coração das pessoas", rematou Dammann, assinalando a nova temporada. |

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