A MULHER QUE TROCOU O PODER PELO AMOR

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Ex-primeira dama trocou Sarkozy por Richard Attias

Nicolas Sarkozy é um homem de rancores. Na semana passada, o Presidente francês proibiu a jornalista do Le Point Anna Bitton de o acompanhar na visita de Estado ao Reino Unido. Motivo? Bitton é a autora de Cécilia: a mulher que deixou Sarkozy. Um livro cuja publicação a sua agora ex-mulher tentou impedir e que chega esta semana a Portugal através da editora Oceanos.

A acreditação recusada a Bitton para acompanhar o Presidente e a actual mulher, Carla Bruni, foi apenas o último episódio da longa saga Sarkozy contra quem ousou escrever sobre a sua ex-companheira.

Em 2005, Sarkozy ainda era ministro do Interior quando chamou o responsável das edições Fist para "discutir" a publicação de um livro intitulado Cécilia: entre le coeur et la raison (Cécilia: entre o coração e a razão). Da conversa entre os dois homens, pouco se sabe. Mas a autora, Valérie Domain, jornalista da revista Gala, foi obrigada a procurar outra editora e o livro acabou por ser publicado como uma obra de ficção, já sem a palavra "Cécilia" no título.

Tal como Domain, Anna Bitton, que acompanhou a política francesa para a revista Marianne e agora para o Le Point, parece ter conquistado a amizade de Cécilia. Durante anos, acompanhou a vida desta com Sarkozy, com quem a filha de um cigano romeno e bisneta do compositor espanhol Isaac Albéniz casara em 1996. Nos almoços e jantares entre as duas mulheres, o caderno de apontamentos era, contudo, sempre convidado. E as declarações polémicas foram-se acumulando.

Quando o livro veio a público, Cécilia disse sentir-se traída e apresentou queixa no tribunal por violação da privacidade, exigindo que a obra fosse retirada das bancas. Um pedido que a ex-primeira dama viu recusado em Janeiro, menos de três meses depois de ter posto fim ao casamento com Sarkozy para ir atrás do Richard Attias, o publicitário com quem fugira em 2005 e que define no livro de Bitton como "o homem da minha vida".

Cécilia Ciganer-Albéniz - que no dia 23 passou a ser a senhora Attias ao casar com o publicitário em Nova Iorque - ter-se-á arrependido das declarações que fez a Bitton. Verdadeiras facadas na reputação de Sarkozy. A mulher que durante 18 anos viveu a seu lado garante que o Presidente francês é "um mulherengo", "mesquinho", que "não gosta de ninguém nem sequer dos seus filhos". Palavras muito duras que relegam para segundo plano elogios como "é realmente uma pessoa formidável" ou "É uma bela máquina". Ou episódios como a sua "viagem-comando" à Líbia para libertar as cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestiniano detidos há anos pelo regime de Muammar Kadhafi.

O livro revela ainda uma Cécilia por vezes infantil, que gosta, por exemplo, de usar a faixa BUS para ver o ar surpreendido do polícia que a manda parar, mas nunca a multam ou que se lamenta sobre a pensão que vai receber depois do divórcio.

Ironia do destino, o arrependimento de Cécilia parece ter tido o efeito contrário do desejado. Mal chegou às bancas, o livro de Bitton, que pretende fazer uma espécie de retrato psicológico da ex-primeira dama, tornou-se num best--seller e já vendeu mais de 200 mil exemplares em França.

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