Patrocínios fatais. Grandes empresas da alta-roda da finança internacional entram nos clubes de futebol para retirar dividendos da exposição mediática do jogo. As apostas rendem na maior parte das vezes, noutras revelam--se verdadeiras maldições. A AIG, que patrocina o Manchester United, é das mais recentes a entrar em colapso.As camisolas são a identidade de um clube, ou pelo menos a sua cara, mas hoje em dia são sobretudo um espaço precioso de rentabilização. Grandes empresas pagam fortunas para ver o seu nome passear em craques como Cristiano Ronaldo, Didier Drogba ou Kaká. E quando uma companhia investe somas astronómicas não está propriamente a fazer mecenato: o retorno é sempre potenciado pela exposição mediática do futebol. Mas em Inglaterra há a maldição das camisolas. Monstros como a AIG (está em colapso financeiro), a Northern Rock, All Sports, XL ou MG Rover deram-se mal. Algumas já nem existem..Começar pelo princípio é sempre aconselhável. Nas últimas semanas, a AIG tem sido notícia, não por patrocinar os red devils, mas por estar muito perto de implodir empresarialmente. E soou a campainha: ainda há semanas, o West Ham ficou sem patrocinador devido à falência da XL, a tristemente célebre companhia de viagens que abandonou milhares de clientes no estrangeiro. Mas, antes, já o rasto amaldiçoado das ligações comerciais aos clubes ingleses tinha crescido a tornar-se incontornável. O exemplo maior, ou mais sonante, no Reino Unido foi o da associação do banco Northern Rock ao Newcastle. O banco encaminhava-se para o precipício (foi salvo pela intervenção do Governo inglês) e teve de largar o acordo que colocava o seu nome nas camisolas do Newcastle. Curiosamente, o clube parece ter ficado ferido com a ligação e ainda hoje vive dias de incerteza (maus resultados desportivos, o proprietário de saída por não aguentar as críticas, etc)..No entanto, a história é mais antiga e mais profunda. Um outro clube em destaque nos dias de hoje, o Manchester City, mantido pelos petrodólares de Abu Dabhi, também passou por dias incertos quando vendia a marca da seguradora First Advice. Subsidiária do grupo Accident Group, a companhia enterrou-se na morte violenta da holding: o Accident Group desfez-se em 2002 e avisou todos os colaboradores por mensagem telefónica de texto....Para acabar com a estranha história da maldição das camisolas, recupere-se ainda o exemplo sintomático do Charlton - a gigante do material desportivo All Sports, que patrocinava o clube, faliu; a espanhola Llanera nem chegou a entrar nas camisolas do clube londrino - fechou antes. Já o Aston Villa passou um mau bocado com o fim da MG Rover.|