O homem, como animal superior, caracteriza-se, pela corticalização, linguagem conceptual e a lógica abstracta..Um povo é uma comunidade de língua e de cultura, independente das fronteiras ocasionais dos Estados, mas é a língua que caracteriza e define uma Nação..A democracia moderna baseia-se na representação e na participação, não no exercício do poder, mas na sua delegação, e também não é um sistema de autogoverno, mas antes um sistema de limitação e controlo do Governo, bem expressos nas liberdades de participação e de autonomia, de que desfrutam os cidadãos. Por último, o termo democracia é normativo, não descreve algo, mas prescreve um ideal..A democracia só existe quando é o resultado da soma dos seus valores e ideais. .Ora não parece crucial que, em democracia, sejam tomadas medidas radicais que afectam, e obrigam (?), todos, sem que "todos" sejam ouvidos. E para isso pode servir a figura do "referendo"..Vem isto a propósito de uma "discussão" pública ácerca do novo acordo ortográfico, feito nas costas do povo, ou pelo menos de todos os letrados do País, já que não parece lícito e lógico que seja perguntado a um analfabeto como pretende escrever:0 se pelo acordo antigo ou pelo vigente..Alguém chamou "insubmissos" a todos aqueles que preferem escrever pela fórmula antiga, embora não tenha perguntado as razões de tal preferência ....Para todos aqueles que foram obrigados a dividir "orações" n'Os Lusíadas como foram todas as gerações da primeira metade do séc. XX (excepto alguns que até chegaram a primeiro-ministro e, nessa qualidade, declararam, publicamente, que nunca tinham lido), vemo-nos, neste momento, confrontados, e "obrigados" (?), a escrever de uma forma "errada" no passado, e pela qual fomos severamente castigados.."Querem" (?) agora que escrevamos cometendo os erros pelos quais formos castigados no passado, e querem que o façamos sem violentarmos as nossas consciências..Andamos, há anos e anos, a guiar pela direita e quando o fazemos pela esquerda somos "severamente" punidos, e um dia, para agradar aos sul-africanos ou até aos homens da Ilha, imaginem que somos "obrigados" a conduzir pela esquerda. Experimentem e vejam se encontram alguma satisfação e conforto nesta medida absurda, para nós. .Será que passar a escrever com "erros" dará direito a ser punido, como se era no passado, por escrever como querem (?) agora?.O que mais impressiona, neste momento, é a intenção de "obrigar" todos a escrever como meia dúzia quer. Então e a democracia, pá?.É que se querem abdicar de certa grafia para mostrar superioridade de ex-potência colonial e facilitar a vida (a escrita) àqueles que só sabem escrever de acordo com o som, ou melhor, com a melodia da voz, façam-no para exportação, mas conservem também no meio intelectual a forma antiga..Descaracterizar a cultura através da "linguagem" escrita que passa a ser diferente pode levar também a abdicar da gravata e do casaco, quando se vai à opera ao S. Carlos... E por que não? Ou aí já acham mal? É que na Praia do Meco já tomam banho sem roupa... mas ainda não é obrigatório lá ir....... É por isto tudo que preferimos o desporto como exemplo da maior e melhor escola de democracia, porque os gestos praticados, ali, são uma LINGUAGEM UNIVERSAL, ali todos são iguais e respeitam-se mútuamente, e até se ensina as pessoas a não "cuspir nas mãos", contrariando um velho hábito que a humanidade pratica, há dez mil anos, quando começou a agricultura.