Licenciado significa licença para "estudar" só, ou seja, de forma autónoma ou, se for preferido, para exercer com responsabilidade, de forma creditada, e acreditada, sob a responsabilidade de uma faculdade. Ser "licenciado" também significa responsabilidade perante a Nação, já que, bem ou mal, quer se goste ou não, quer se use gravata ou não, significa também pertencer a uma "elite", embora haja elites e "elites"..Por último, tal título académico implica obrigação de estudo permanente, ou seja, de actualização permanente de forma a poder servir a comunidade, pois passados cinco (5) anos após a conclusão do curso, se não houver estudo, o novel licenciado já está ultrapassado, ou seja, está fora de prazo..Mas atenção, que não se pense que é possível tratar um licenciado como uma pessoa incapaz de compreender que, por vezes, a "semântica" pode estar ao serviço de pequenas "freguesias" e de pequenos "chefes de tribo". E é pena que, de quando em quando, certas insti-tuições se arroguem a si próprias funções e "direitos" que excedem largamente a sua alçada legal e moral..Desde sempre (anos 70) nos batemos pela responsabilização, através da qualificação superior adquirida na universidade, no campo da educação física (cinesiologia, no futuro), de molde a que a saúde dos utentes não pudesse ser posta em causa, já que só com licenciados haverá essa garantia..Finalmente, o governo da Nação entendeu, e compreendeu, o perigo que representava para a saúde pública qualquer indivíduo poder "abrir" um ginásio sem qualquer grau académico e começar a "tra- balhar"…! Mas agora aparece a "FGP" a dar a entender que para haver a possibilidade "legal" de "os treinadores" continuarem a trabalhar sem licenciatura terão de proceder a determinados actos administrativos para serem "avaliados" e, "quiçá", "equiparados"… Só que "metem" no mesmo saco os licenciados e acrescentam "mesmo que sejam licenciados" na área "terão de…".Com o dr. Rui Baptista (também) sempre fomos adeptos da necessidade de uma "ordem" de profissionais da educação física, licenciados, para que, isso sim, pudesse haver controlo da actividade e salvaguarda da saúde pública, mas não é, nem pode ser, uma federação de ginástica, seja em nome de quem for, que pode colocar em causa o valor e a autonomia de uma licenciatura adquirida na Universidade Técnica de Lisboa, por exemplo..Num Estado de direito, seria bom que as pessoas que ocupam certos cargos pudessem controlar um pouco melhor a saída de determinadas "circulares", para os ginásios particulares, que podem estar a colocar mal esses titulares de certos cargos, que possivelmente nem tiveram tempo de consultar um jurista para indagarem da legalidade de tal "medida"..Por último, diga-se de passagem que os licenciados da especialidade se devem até sentir insultados, já que se pretende branquear asneiras feitas no passado, através da "igualização" daquilo que é diferente e que não tem paralelo.