"A igualdade entre os sexos torna tudo mais interessante"

Cedric Nicolas-Troyan realizou <em>O Caçador e a Rainha do Gelo</em>, que hoje estreia. Um filme para um ator e três atrizes
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Quando soube que seria o escolhido para ser o realizador desta grande produção sentiu mais medo ou alegria? Não deixa de ser um estreante...

Medo não! Mas demorei uns dois dias a mentalizar-me, fiquei surpreendido, não estava à espera. Tudo surgiu de forma muito rápida, foi como atravessar a rua e ser atropelado por um bom autocarro! Por outro lado, fazia sentido, disso logo que sim num ápice. Só depois é que percebi que tinha mesmo de realizar o filme... A verdade é que fiquei com aquele entusiasmo de fazer o primeiro filme.

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É justo dizer que se trata de uma mistura de sequela e prequela de A Branca de Neve e o Caçador?

As pessoas têm sempre de colocar os filmes em caixas...Perguntam-me também se tem a ver com o Frozen, a animação da Disney. Há tantos exemplos em que no mesmo filme vemos épocas diferentes...Aqui passa-se o mesmo. Diria que é uma mistura de sequela com prequela.

Este é mais um filme que aposta no conceito da mulher forte e heroína. Será uma das tendências de moda em Hollywood?

Sim, acho que sim! Não é uma coisa de agora mas aos poucos isso está a ficar mais acentuado. Holllywood está a descobrir que este tipo de apostas traz para os cinemas um público mais misto. Creio que não se trata de descobrir qual é o sexo mais forte mas sim de equilibrar as coisas. Aqui era importante que a personagem da Jessica Chastain não precisasse de ser salva pelo caçador.

Aí tenho de dizer que o Chris Hemsworth adorou essa ideia. Ele é um daqueles atores muito apostado em realçar o poder feminino. Toda essa igualdade entre os sexos torna tudo mais interessante. Lembro-me de achar o máximo personagens como a Sarah Connor [Exterminador Implacável] ou a Ripleu [Alien] quando eu era mais novo. Por alguma razão fiquei com o apelido da minha mulher. Em França isso é impossível. Nunca percebi muito bem a razão pela qual as mulheres ficam com o nome dos maridos...Sempre disse que mal me casasse ficaria com o nome da minha mulher. Não achava justo que fosse sempre ao contrário.

Apesar de ser um filme infantil há uma cena de sexo...

Porque o filme é também um romance, uma história de amor. Para mim e para o Chris era importante essa cena, mas não é bem sexo aquilo...A verdade é que não queríamos que tudo se resumisse apenas a um beijo, ficaria tudo sem credibilidade. Enfim, ficaria piroso e não resultaria com a realidade dos dias de hoje. Se tivéssemos continuado a cena também admito que ficaria constrangedor. Tivemos então de encontrar a realidade e isso é o mais complicado pois estamos em território de conto de fadas. O filme é uma fantasia mas também precisa algo de real, caso contrário as pessoas não se identificam. Um beijo falso e perdemos o espetador mas se também se mostramos a mais as pessoas sentem que é inapropriado.

Gostaria de voltar a França para realizar um filme?

É estranho, cresci em França com filmes americanos, era uma criança fã do Star Wars,

Quando soube que seria o escolhido para ser o realizador desta grande produção, O Caçador e a Rainha do Gelo, sentiu mais medo ou alegria? Não deixa de ser um estreante...

Medo não! Mas demorei uns dois dias a mentalizar-me, fiquei surpreendido, não estava à espera. Tudo surgiu de forma muito rápida, foi como atravessar a rua e ser atropelado por um bom autocarro! Por outro lado, fazia sentido, disso logo que sim num ápice. Só depois é que percebi que tinha mesmo de realizar o filme... A verdade é que fiquei com aquele entusiasmo de fazer o primeiro filme.

É justo dizer que se trata de uma mistura de sequela e prequela de A Branca de Neve e o Caçador?

As pessoas têm sempre de colocar os filmes em caixas...Perguntam-me também se tem a ver com o Frozen, a animação da Disney. Há tantos exemplos em que no mesmo filme vemos épocas diferentes...Aqui passa-se o mesmo. Diria que é uma mistura de sequela com prequela.

Este é mais um filme que aposta no conceito da mulher forte e heroína. Será uma das tendências de moda em Hollywood?

Sim, acho que sim! Não é uma coisa de agora mas aos poucos isso está a ficar mais acentuado. Holllywood está a descobrir que este tipo de apostas traz para os cinemas um público mais misto. Creio que não se trata de descobrir qual é o sexo mais forte mas sim de equilibrar as coisas. Aqui era importante que a personagem da Jessica Chastain não precisasse de ser salva pelo caçador.

Aí tenho de dizer que o Chris Hemsworth adorou essa ideia. Ele é um daqueles atores muito apostado em realçar o poder feminino. Toda essa igualdade entre os sexos torna tudo mais interessante. Lembro-me de achar o máximo personagens como a Sarah Connor [Exterminador Implacável] ou a Ripleu [Alien] quando eu era mais novo. Por alguma razão fiquei com o apelido da minha mulher. Em França isso é impossível. Nunca percebi muito bem a razão pela qual as mulheres ficam com o nome dos maridos...Sempre disse que mal me casasse ficaria com o nome da minha mulher. Não achava justo que fosse sempre ao contrário.

Apesar de ser um filme infantil há uma cena de sexo...

Porque o filme é também um romance, uma história de amor. Para mim e para o Chris era importante essa cena, mas não é bem sexo aquilo...A verdade é que não queríamos que tudo se resumisse apenas a um beijo, ficaria tudo sem credibilidade. Enfim, ficaria piroso e não resultaria com a realidade dos dias de hoje. Se tivéssemos continuado a cena também admito que ficaria constrangedor. Tivemos então de encontrar a realidade e isso é o mais complicado pois estamos em território de conto de fadas. O filme é uma fantasia mas também precisa algo de real, caso contrário as pessoas não se identificam. Um beijo falso e perdemos o espetador mas se também se mostramos a mais as pessoas sentem que é inapropriado.

Gostaria de voltar a França para realizar um filme?

É estranho, cresci em França com filmes americanos, era uma criança fã do Star Wars, Blade Runner e do género da ficção-científica. Fui sempre um tipo muito fanático do cinema de género, a minha primeira cassete VHS que aluguei foi para aí o Nova Iorque 1997, do John Carpenter. Não sou nada como aqueles cineastas franceses que se gabam de serem discípulos do Godard e da Nova Vaga. Essa não é a minha cena! Mas não sei se um dia volto lá para fazer um filme, talvez...não sei! Por agora não está na minha agenda.

Runner e do género da ficção-científica. Fui sempre um tipo muito fanático do cinema de género, a minha primeira cassete VHS que aluguei foi para aí o Nova Iorque 1997, do John Carpenter. Não sou nada como aqueles cineastas franceses que se gabam de serem discípulos do Godard e da Nova Vaga. Essa não é a minha cena! Mas não sei se um dia volto lá para fazer um filme, talvez...não sei! Por agora não está na minha agenda.

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