Não são memórias felizes para islandeses e húngaros: de todas as vezes em que se enfrentaram, andavam longe da ribalta do futebol europeu e mundial, a disputar jogos de preparação inconsequentes ou fases de qualificação que não os levaram a lugar algum. Foi uma longa espera, que Eidur Gudjohnsen e Gábor Király - decanos das atuais seleções - viveram de perto (já lá estavam no último duelo oficial, há 11 anos). Mas, agora, o palco é outro. Chegou a hora da verdade para Hungria e Islândia, revelações da 1.ª jornada do Grupo F: quem ganhar a partida de hoje (17.00), em Marselha, fica com um pé e meio nos oitavos-de-final do Euro 2016..O cenário era improvável há 10 ou 20 anos, quando Islândia e Hungria andavam de braço dado em campanhas sofríveis em fases de apuramento para grandes provas (encontram-se nas qualificações do Mundial 1994, do Euro 1996 e do Mundial 2006). Na última partida oficial, uma vitória húngara em Reiquejavique, em junho de 2005 (2-3), Király já guardava a baliza magiar e Zoltán Gera, que então jogava mais na frente, facturou por duas vezes. Do outro lado, Gudjohnsen já era a alma da equipa nórdica (marcou um golo), onde também despontava Kari Árnason..No entanto, então, nem Árnason e Gudjohnsen adivinhariam o milagre da evolução do futebol islandês, nem Király e Gera julgariam onde o espírito de superação dos húngaros os podia levar. "Quanto mais tempo passava, mais parecia um sonho distante do que algo realizável. É muito emocionante", celebrava o avançado, após a equipa nórdica ter garantido a estreia em grandes provas internacionais. "Ainda mal consigo acreditar", dizia o guarda-redes após a seleção magiar ter assegurado o regresso a Campeonatos da Europa, 46 anos depois..Hoje, os quatro podem encontrar-se no relvado de Marselha (só o avançado islandês não deverá jogar de início), para tentar confirmar os brilharetes da 1.ª jornada - quando a Islândia empatou Portugal (1-1) e a Hungria bateu a Áustria (2-0). "Esperamos um jogo difícil, contra uma equipa compacta e muito bem organizada, especialmente do ponto de vista defensivo", perspetivou ontem o co-selecionador dos nórdicos, Heimir Hallgrimsson, previndo que a sua equipa possa "mostrar outras facetas" do seu futebol, tendo mais posse de bola" do que frente a Portugal..O treinador da Hungria, Bernd Storck, também prometeu "uma estratégia um pouco diferente" da utilizada frente à Áustria, para contrariar o jogo "muito físico da Islândia, uma equipa muito boa". Para Storck, a "euforia" do primeiro jogo do Euro 2016 já passou. Agora, os húngaros - como os islandeses - terão de escrever novas memórias.