Livro conta memórias do grupo por onde passaram José Cid e Tozé Brito .Há manifestações de rock em Portugal desde finais da década de 50, e alguma discografia de inícios e meados de 60. Mas, e apesar de algum sucesso (e visibilidade) de nomes como os Sheiks ou o Conjunto Académico João Paulo, é com o Quarteto 1111 que se aponta o primeiro fenómeno de grande personalidade artística no pop/rock feito em Portugal. ."Foram a banda mais importante da música pop/rock em Portugal até finais dos anos 70", sublinha António Pires, autor de As Lendas do Quarteto 1111, que a Ulisseia acaba de publicar. "O Quarteto foi um caso único. Soavam ao que se fazia no seu tempo, lá fora, mas tinham uma carga de portugalidade fortíssima, que os levava a cantar sobre El Rei D. Sebastião ou D. Inês", acrescenta, lembrando ainda que, numa segunda etapa, o grupo revelou marcas de "uma consciência política", tanto que "foram o único grupo pop a ser censurado durante o fascismo"..O grupo revelou José Cid (que na verdade fazia música desde os Babies, em finais de 50, grupo que é apontado como o primeiro a fazer rock em Portugal). A ele juntou músicos como António e Jorge Moniz Pereira e Michel Silveira. Mais tarde chegou Tozé Brito (vindo do Pop Five Music Incorporated) e, numa etapa posterior, Mike Sergeant. O livro, todavia, não se esgota nos músicos e suas canções. "A música é só 20 por cento do texto, porque o resto são histórias e o tempo deles. Há coisas mais pessoais, como o sexo, o consumo de drogas, de álcool, o contexto político, descreve o autor do livro. "Um fã do José Cid, se lesse apenas a descrição das canções, não perceberia nada desta história. Era inevitável falar dos temas políticos e sociais", insiste.."Como se vê pelo livro", continua o seu autor, "vivíamos num país fechado, provinciano, em que qualquer coisa que acontecesse ou passava despercebida ou era um acontecimento". Aqui refere-se a um momento-chave na vida do grupo quando, em 1967, o seu primeiro EP, A Lenda de El Rei D. Sebastião, passou no programa Em Órbita, do RCP, que então só tocava música estrangeira. "Passaram? Eram especiais", sublinha António Pires. "Passar música estrangeira, na altura, era fácil. E passar uma música portuguesa era arriscado. Sobretudo se não era fado ou música ligeira, nem o yé yé [a expressão usada para descrever o rock nacional de imitação de modelos estrangeiros]. De resto, a maior parte do rock feito em Portugal nos anos 60 era muito fraquinho", observa..António Pires acrescenta ainda que este esforço de contextualização da música naquele tempo foi fulcral para o contar desta história. "Irrita- -me ver um documentário em que se fala de um determinado artista que parece um ovni caído em Portugal numa dada altura. E que parece que não há nada à volta, nem um antes nem um depois", explica, assim justificando a sua opção..Numa altura em que José Cid volta a encher concertos e anuncia para breve uma reunião do Quarteto 1111, este livro chega na hora certa.