A fraqueza de Klopp, a viagem mais longa e o regresso ao local de um crime
Os sorteios da Liga dos Campeões e da Liga Europa ontem realizados em Nyon, na Suíça, acabaram por não ser maus para as equipas portuguesas, tendo em conta as opções disponíveis. Na prova milionária, o FC Porto terá de lutar com o Liverpool por um lugar nos quartos-de--final, tendo escapado aos colossos Barcelona, Manchester City e Paris Saint-Germain, por exemplo. Na Liga Europa, o Sporting tem no Astana um bom adversário para carimbar o acesso aos oitavos, enquanto o Sp. Braga terá uma eliminatória que se prevê equilibrada com o Marselha. Borussia Dortmund e Nápoles seriam dores de cabeça bem maiores...
Vamos por partes. O Liverpool será um osso difícil de roer para o FC Porto, sobretudo pelo poder ofensivo do clube inglês, onde o egípcio Mohamed Salah fortaleceu esta época um setor que contava com o versátil Roberto Firmino, o velocíssimo Sadio Mané e o sempre perigoso Daniel Sturridge. Uma frente ofensiva que costuma ser bem municiada pela estrela da companhia, o brasileiro Philippe Coutinho.
Só que o sorteio terá deixado Sérgio Conceição a fazer contas aos danos que poderá causar a uma defesa débil, que inclusive está sem o seu melhor elemento, o defesa-direito Clyne, que poderá recuperar a tempo da eliminatória. Contudo, os números não deixam dúvidas: são 31 golos sofridos em 25 jogos esta época. Aliás, este é um problema que Jürgen Klopp nunca conseguiu resolver, pois na época passada o Liverpool sofreu 47 golos em outros tantos jogos, enquanto na primeira época do treinador alemão os reds encaixaram 71 golos em 63 partidas.
O Liverpool investiu nesta época qualquer coisa como 89 milhões de euros, sendo o lateral Andrew Robertson o único defesa que adquiriu ao Hull City, equipa que tinha descido de divisão...
O aspeto defensivo dos ingleses pode ser explorado pelo FC Porto, embora tenha de ter muito cuidado com o ataque do Liverpool, sobretudo porque na primeira mão não poderá contar com o brasileiro Felipe, que irá cumprir castigo. Refira--se que o segundo jogo, em Anfield, é antecedido da receção dos dragões ao Sporting para a Liga.
Viagem de oito horas a Astana
O Sporting vai jogar pela primeira vez com uma equipa do Cazaquistão. O Astana é um adversário bastante acessível, se olharmos para o valor dos dois plantéis. Há contudo outros aspetos a ter em conta, como a viagem, que terá a duração de oito horas, algo que o Benfica fez há dois anos, estabelecendo então o recorde da viagem mais longa das provas da UEFA. "A maior dificuldade, além da desportiva, será a diferença horária, que é de seis horas, e o tempo de viagem, nunca inferior a sete horas", sublinhou ontem André Geraldes, diretor do futebol dos leões.
Além disso, há a registar a forma aguerrida como joga a equipa treinada por Stanimir Stoilov - antigo médio do Campomaiorense -, o relvado artificial e a temperatura negativa em Astana (média de 16 graus negativos em fevereiro). Por isso, todos os cuidados são poucos.
Cuidado com as chuteiras
O Sp. Braga reencontra o Marselha, equipa com a qual mediu forças na fase de grupos da Liga Europa em 2015, então com uma derrota 0-1 em França e um triunfo caseiro por 3-2. O jogo no Velódrome ficou marcado por um episódio rocambolesco, pois horas antes da partida foram roubadas as chuteiras dos jogadores bracarenses, o que valeu uma participação à UEFA.
Esta é a segunda visita do Marselha ao Minho nesta época, pois a 2 de novembro perdeu em Guimarães (1-0), num jogo célebre pelo pontapé de Evra a um adepto francês que resultou na suspensão do lateral pelo clube. A equipa francesa nunca ganhou em Portugal, registando cinco derrotas e um empate. No plantel de Rudi Garcia, destacam-se o ex-portista Rolando e o ex-benfiquista Mitroglou.
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Os outros duelos da Champions
Juventus-Tottenham
› O finalista vencido da época passada, a Juventus, encontra a equipa que mais pontos obteve na fase de grupos, o Tottenham (16, num grupo com Real Madrid e Dortmund). Buffon contra Kane é um dos atrativos.
Basileia-Man. city
› A equipa de Guardiola teve um sorteio simpático. Para o Basileia, é um regresso a Manchester, depois de ter defrontado o United de Mourinho no grupo do Benfica (0-3 em Old Trafford, mas vitória 1-0 na Suíça). Parece o mais desequilibrado dos duelos.
Real Madrid-PSG
› O prato forte dos oitavos: frente a frente o bicampeão em título e um dos maiores pretendentes a entrar para o lote de vencedores. O PSG, neste ano com Neymar e Mbappé (e o português Antero Henrique como diretor do futebol), desafia o Real Madrid de Cristiano Ronaldo num verdadeiro duelo milionário.
Chelsea-Barcelona
› Já é um clássico da Liga dos Campeões, com 12 duelos na prova desde que se encontraram nos quartos-de-final de 1999-2000. Das duas últimas vezes, o vencedor da eliminatória ganhou a Champions (Barcelona em 2009, Chelsea em 2012). E será desta que Messi marca pela primeira vez aos blues (8 jogos em branco)?
Bayern-Besiktas
› Quaresma e companhia têm missão complicada contra o poderoso campeão alemão, agora de novo treinado por Jupp Heynckes, o último técnico a ganhar uma Champions para o Bayern, em 2013.
Sevilha-Man. United
› Mourinho volta a Sevilha, onde já foi muito feliz (final da Taça UEFA 2003, com o Porto), para tentar validar candidatura ao título europeu contra uma equipa à qual sucedeu na época passada como vencedor da Liga Europa.
Shakhtar-Roma
› Paulo Fonseca vestiu-se de Zorro para festejar a ida aos oitavos e o sorteio permite-lhe sonhar ainda mais alto: a Roma ganhou o grupo de Chelsea e At. Madrid, mas não é um dos tubarões europeus. E, lembre-se, a final desta edição está marcada para a Ucrânia (Kiev).

