Presidência inédita em Chipre, a desaparecer em Espanha.Ao eleger Demetris Christofias para a presidência em finais de Fevereiro, Chipre tornou-se no primeiro país da União Europeia governado por um comunista. Dezanove anos depois da queda do muro de Berlim, esta vitória histórica não significa, contudo, um regresso do comunismo à liderança na Europa. Em Espanha, por exemplo, a Esquerda Unida, liderada elo Partido Comunista Espanhol (PCE), obteve o pior resultado de sempre nas legislativas de dia 9, ficando reduzida a dois deputados. .Proibido durante a ditadura de Francisco Franco, o PCE voltou à legalidade em 1977 e nove anos depois passou a apresentar-se às eleições à cabeça da Esquerda Unida (IU, que reúne partidos da esquerda republicana). Nas eleições de 1996, esta conseguiu ultrapassar os 10% de votos, igualando a percentagem que o PCE alcançara nos finais dos anos 70, quando elegeu 23 deputados para as Cortes. Um vigor político que tem vindo a baixar nos últimos anos. E a grande mobilização do eleitorado socialista, aliado a uma bipolarização da política espanhola, deu o último golpe nos comunistas nas eleições da semana passada. O descalabro eleitoral levou à demissão do líder do IU, Gaspar Llamazares, e à marcação de um congresso para o Verão, no qual a esquerda espanhola espera vir a ganhar um novo fôlego. .Nos anos 70 e 80, alguns dos países do Leste europeu que hoje integram a UE tinham regimes comunistas. E os comunistas chegaram a ter grande protagonismo na Europa Ocidental. Em França, por exemplo, integraram os governos do socialista François Mitterand depois de se afastarem da ideologia soviética e se afirmarem eurocomunistas. Em Itália, o Partido Comunista era a maior força política de esquerda depois da II Guerra Mundial. Da sua divisão, em 1991, nasceram os Democratas de Esquerda, um partido de ideologia social-democrata que deu a Itália um primeiro-ministro e um presidente que foram militantes comunistas, respectivamente Massimo D'Alema e Giorgio Napolitano. .Apesar de muitos os darem como mortos após o fim da União Soviética, os comunistas têm sabido metamorfosear-se. Na Alemanha, ressurgiram através do Die Linke. A formação foi criada em 2007 por Lothar Bisky e Oskar Lafontaine e reúne membros do partido no governo na antiga Alemanha de Leste e dissidentes do Partido Social-Democrata (SPD). Defensor do aumento dos impostos para os mais ricos, do fim das privatizações e da introdução do salário mínimo, Die Linke está a conquistar os eleitores. É o que indicia uma sondagem realizada esta semana pelo instituto Forsa e que dá ao partido de Bisky e Lafontaine 14% das intenções de voto. .O verdadeiro "gigante" comunista europeu continua, contudo, a ser o cipriota Akel. Criada em 1941 para suceder ao Partido Comunista de Chipre, a formação liderada por Christofias nunca apresentara um candidato às presidenciais, apesar de ser a maior força política do país, com resultados acima dos 30% nos últimos anos. .O segredo do sucesso dos comunistas cipriotas parece passar pelo seu pragmatismo. Apesar de ter estudado em Moscovo e de gostar de usar T-shirts do Che Guevara, Christofias, primeiro presidente comunista da UE, reconhece os méritos de uma economia de mercado.