A detecção precoce do cancro da pele é fundamental para a cura

No "Dia do Euromelanoma 2023", importa sublinhar que a exposição à radiação ultravioleta é o principal factor de risco para o cancro da pele que pode ser prevenido. A prevenção e a detecção precoce são essenciais. Saiba como.
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Hoje, dia 17 de Maio, assinala-se o "Dia do Euromelanoma 2023". Esta iniciativa europeia, promovida em Portugal pela Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC), com a colaboração da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV) e o apoio da Direcção-Geral da Saúde (DGS), realiza-se anualmente com o objectivo de alertar a população para os factores de risco para cancros cutâneos, promover medidas de prevenção e rastreios dermatológicos.

É fundamental chamar a atenção para este tema, já que os cancros da pele são os mais comuns no ser humano e a incidência tem vindo a aumentar nas últimas décadas, destacando-se o melanoma maligno por ser o tipo mais agressivo e responsável pela maioria das mortes. O risco de desenvolver melanoma aumenta com a idade, mas este é um dos cancros mais frequentes em adultos jovens, com menos de 30 anos, ocupando mesmo o primeiro lugar nesta faixa etária na Austrália. Em Portugal, a incidência estimada é de 6 a 8 casos por 100 mil habitantes.

Determinadas características individuais acarretam risco aumentado de desenvolver cancros cutâneos, nomeadamente ter pele clara, elevado número de "sinais" e sofrer de doenças ou fazer tratamentos que alteram o sistema imunitário como ocorre, por exemplo, em doentes transplantados ou com infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH). O risco é também superior em indivíduos que já tenham tido cancros da pele ou outros cancros, como o do pâncreas, ou com casos semelhantes na família, pois existem algumas mutações genéticas que podem ser hereditárias. Não obstante, importa sublinhar que a exposição à radiação ultravioleta é o principal factor de risco para cancro da pele que pode ser prevenido, pelo que se recomenda evitar exposição solar intensa ocasional - queimaduras solares ou "escaldões" - e crónica ou prolongada em contexto de actividades profissionais ou de lazer, bem como exposição a fontes de luz artificiais como os solários.

O tratamento e o prognóstico dos cancros cutâneos dependem do seu tipo e da fase em que são identificados, sendo a cura possível em muitos casos, se detectados precocemente. Assim, além de adoptarem adequados cuidados preventivos de "fotoprotecção", é importante que as pessoas observem regularmente a sua pele e pratiquem "auto-exame", isto é, vigilância dos seus próprios "sinais".

Com efeito, embora os cancros da pele possam manifestar-se de diversas formas, importa conhecer as principais características suspeitas de melanoma a que se deve estar atento, aplicando duas estratégias simples: a "Regra ABCDE", que assinala lesões com Assimetria, Bordos irregulares, várias Cores, Dimensão superior a 6mm e com Evolução, alteração ou aparecimento recente; e o "Sinal do patinho feio", referente a lesões que se destacam à observação porque o seu aspecto difere da maioria dos "sinais-padrão" do próprio indivíduo, relativamente à dimensão, cor, forma ou espessura.

Estes cuidados não substituem, contudo, a vigilância regular por um médico dermatologista, fundamental para diagnóstico precoce e tratamento atempado dos cancros da pele. Para avaliar os "sinais", o especialista procede à observação clínica, complementada com a dermatoscopia, uma técnica de imagem não invasiva e totalmente indolor. Ao visualizar as lesões cutâneas usando o dermatoscópio - instrumento que acopla uma lente de grande ampliação a um tipo particular de luz - é possível avaliar com maior detalhe algumas das características e padrões, que auxiliam na distinção entre "benignas" e "suspeitas" ou "malignas".

Baseada em tecnologia digital complexa, a Dermatoscopia Digital Computorizada (DDC) é uma técnica de diagnóstico mais avançada, integrando as funcionalidades de um dermatoscópio potente com um sistema informático. Além da obtenção de imagens digitais com boa definição, a este método acresce a vantagem de permitir o mapeamento corporal dos "sinais" e o registo de lesões seleccionadas ao longo do tempo, para um controlo evolutivo mais fidedigno, relembrando a importância do E da "Regra ABCDE".

A interpretação das imagens dermatoscópicas digitais, realizada por médicos especializados, possibilita a detecção de alterações suspeitas de malignidade e aparecimento de novas lesões, aumentando significativamente a acuidade diagnóstica para o melanoma maligno. A monitorização por DDC visa também evitar remover desnecessariamente "sinais" considerados benignos.

Felizmente, os progressivos avanços na Medicina - e na Dermato-oncologia em particular - têm contribuído para melhorar a sobrevida e a qualidade de vida dos doentes oncológicos, graças ao desenvolvimento de tratamentos cada vez mais eficazes para os cancros da pele, a par da evolução tecnológica a nível dos meios auxiliares de diagnóstico para a detecção precoce. O seguimento em consulta de DDC é uma mais-valia em pessoas com "sinais" e risco aumentado de melanoma, sendo essencial a adesão à estratégia de vigilância individualizada definida com o médico.

Tenha atenção aos seus "sinais" e consulte um médico especialista.

Médica especialista em Dermatologia e Venereologia | Consulta de Dermatoscopia Digital Computorizada no Centro de Dermatologia do Hospital CUF Descobertas

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia

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